julgava seu romance
"desagradável", um "solilóquio doido", "enervante" e "mal escrito".
A linguagem é breve, sintética e concisa, marca inconfundível do autor.
O amor possessivo do funcionário decadente Luís da Silva pela vizinha
Marina, ao lado da
rivalidade doentia com Julião Tavares (em tudo mais potente e superior que
seu agressor),
montam uma trama que entrelaça o psicológico e o social. O leitor acompanha,
em compasso de crescente tensão, a experiência delirante de um criminoso e o
processo minucioso da
gênese desse crime.
Na prisão, movido pela necessidade de confessar, o narrador se empenha na
escritura de um
livro e através dele procede a uma auto-análise.
Passados quase setenta anos da recepção inicial, Angústia se afirma como um
marco na literatura brasileira e na trajetória do autor. Seria mesmo
difícil, nos anos 30, legitimar essa escrita compulsiva, dominada pelo fluxo
interno de pensamentos, lembranças e afetos do narrador-protagonista Luís da
Silva.
O resultado é uma narrativa imersa em clima de sonho, ou melhor, de
pesadelo, banhada por alucinações, vivências sexuais reprimidas e desejos
sádicos obsessivos.
O mundo relatado em Angústia é estreito e sufocante, mas o alcance literário
da
obra se expande, ainda hoje, para além dos limites da crítica.
Enredo
Vamos tentar resumir o enredo de “Angústia”, o que não é nada fácil. O
romance psicológico constrói-se exatamente pelo registro do fluxo de
consciência dos personagens, e é impossível resumir esse movimento de vaivém
incessante, com seus saltos e suas lacunas...
O protagonista é Luís da Silva, 35 anos, lotado na Diretoria do Tesouro, em
Maceió, Alagoas.
Ele revela profundos sentimentos de autodepreciação, de
insatisfação com a vida que leva, “monótona e estúpida”. Ganha $500.000 réis
de salário (aproximadamente uns cinco salários mínimos da época) e é
submisso aos chefes. De origem rural, é um deslocado na cidade.
Lembra com
alguma admiração o avô Trajano, forte, decidido, possuidor de mulheres em
seus tempos de esplendor e, com muitas reservas, o pai, Camilo, filho fraco,
o único que escapou do casamento de Trajano e Sinhá Germana.
Luís sente-se fortemente atraído por uma vizinha nova, Marina, filha de D.
Adélia e do eletricista Seu Ramalho. A atração é predominantemente sexual,
já que os dois são diferentes demais para
se entenderem: “Gosto da pequena,
amarro uma pedra no pescoço e mergulho”.
Visando ao casamento, o enxoval é preparado. Ela só pensa em roupas finas,
jóias e tapetes, e
Luís termina por esgotar suas parcas economias de três
contos de réis, além de se endividar. Chegando com o presente de casamento,
um anel e um relógio, surpreende-a a trocar olhares suspeitos com Julião
Tavares, um tipo que se tinha introduzido forçadamente na vida de Luís,
e
por quem ele sempre nutrira uma aversão especial: era um homem rico, sócio
da firma
“Tavares & Cia”, negociantes de secos e molhados, e conquistador de
mulheres.
Com o passar do tempo, fica bem caracterizada a preferência de Marina por
Julião: “Se eu não tivesse cataratas no entendimento, teria percebido logo
que ela estava com a cabeça virada”.
Amargurado, Luís se distancia de Marina; é-lhe inaceitável o que considera
como prostituição
da noiva: “Escolher marido por dinheiro. Que miséria!”
O golpe veio romper o precário equilíbrio psicológico do protagonista, que
não consegue
desligar-se mentalmente de Marina e entra num furioso processo
de fantasias, com
predominância inicial daquelas de natureza sexual. Ora se
entrega ao despeito e ao ciúme, ora imagina tudo esquecer e reaver Marina
que, por seu turno, está cada vez mais firme com
Julião Tavares, de quem
recebe tudo aquilo de que gosta: roupas caras, jóias, passeios, idas
à
ópera, ao cinema, etc.
As fantasias de Luís da Silva tornam-se progressivamente mais obsessivas e
gradualmente se vão fixando em alguns aspectos especiais: os arames (fios)
da Cia. Nordeste, cordas, canos, cenas de assassinatos e prisões que em
criança havia presenciado, casos de vingança de honra, etc.
O seu comportamento se deteriora; falta às vezes ao serviço, na repartição;
vive bebendo e fumando, perambula à toa pela cidade, de bodega em bodega,
atola-se
em dívidas, enquanto entra num processo mental francamente
delirante. Poucos momentos de lucidez não conseguem deter tal decadência:
com um pouco de método, pensava ocasionalmente, poderia recolocar a sua vida
nos trilhos...
Marina aparece grávida e Julião Tavares vai-se afastando dela aos poucos. Em
vez de
recriminá-lo, a moça e D. Adélia entregaram tudo a Deus, “numa
resignação estúpida e fatalista”.
Luís sente a imperiosa necessidade de fazer Julião Tavares morrer, e morrer
enforcado, os olhos esbugalhados, a língua de fora. Seu Ivo, um mendigo que
eventualmente passava por lá para
pedir comida, presenteia-o com uma peça de
corda. Ele se sobressalta desproporcionalmente, rejeitando, horrorizado, o
presente que materializava, por assim dizer, as suas fantasias.
Mas acaba
guardando no bolso a peça e, doravante, não mais a largará. E as fantasias
se fixam
mais nas laçadas certeiras de Amaro, o vaqueiro; no enforcamento do
velho e digno seu Evaristo, quando recebeu a desconsideração do padeiro; na
cascavel que, certa vez, se enrolara no
pescoço do avô Trajano...
A decadência psicológica e humana continua inexorável; Luís emagrece, quase
não come, bebe demais; vigia e segue, como um autômato, Julião Tavares ou
Marina. Nessa “tarefa”, vê-a entrar, certo dia, em casa de uma D. Albertina
de tal, parteira diplomada. Imagina que ela foi abortar e,
na saída,
aborda-a e a insulta pesada e repetidamente: “Puta!” Num indício de
dissociação de personalidade, “dizia-lhe o insulto, mas estava cheio de
piedade”.
Descobre, também, que Julião estava de amante nova, residente no bairro
de Bebedouro. Rastreando o “inimigo”, segue-o certa noite até à casa da
amante. Depois que Tavares entra
na residência, Luís continua andando, robotizado, até o fim da linha do bonde. Quando volta, de madrugada, sempre
a pé, há uma espessa neblina dificultando a visão. Julião sai, bem à sua
frente, da casa de Bebedouro. Valendo-se da névoa, acompanha-o sem ser
notado, até que as
circunstâncias lhe permitem atirar-se sobre ele e
enforcá-lo, conseguindo ainda, após várias tentativas, alçá-lo ao galho de
uma árvore próxima para simular suicídio.
No instante do assassinato, Luís
tem uma sensação de deslumbramento: “O homenzinho
da repartição e do jornal
não era eu. Esta convicção afastou qualquer receio de perigo.
Uma alegria
enorme encheu-me”.
Sempre a pé, sujo e esfarrapado, devido à luta e às circunstâncias do
enforcamento, atordoado
por fantasias e alucinações, consegue chegar até sua
casa. Aí, a muito custo e de maneira desconexa, procura apagar os indícios
do que ocorrera. Pelo resto da madrugada, na manhã e
nos dias seguintes,
experimenta aquilo que em psicopatologia chamamos de “delírios oniróides”,
acompanhados de pensamentos obsessivos. Não conseguia entender o que lhe
falavam,
nem distinguia bem os visitantes.
“Sem memória, um idiota.” As coisas e pessoas conhecidas, as visões
habituais do passado e
do presente vinham, confundiam-se umas com as outras,
numa ciranda sem fim.
O tempo passava, mas no tempo não havia horas.”
Predominam o sentimento de solidão e
abandono, o cego da loteria gritando o nº 16.384. Um colchão de paina. “Milhares de figurinhas insignificantes. E
era uma figurinha insignificante e mexia-me com cuidado para não molestar
as
outras. 16.384. Íamos descansar. Um colchão de paina.”
Tema: “Inútil, tudo inútil”
Tendo em vista o resumo, poderíamos perguntar: qual o tema, a idéia central
ou nuclear que organiza, que explica?
Alfredo Bosi, em sua História Concisa da Literatura Brasileira aponta o
sentimento de rejeição
como o roteiro, a categoria unificante que permitira
entender todos os romances de Graciliano Ramos. E não podemos negar que,
realmente, eles apresentam essa dimensão, proveniente,
segundo o mesmo
autor, do contacto com a natureza e o próximo.
Nelly Novaes Coelho vê no drama da solidão a constante da obra de
Graciliano. As duas forças obsessivas que explicam essa obra seriam a
solidão interior do homem e a sua luta para a
afirmação da própria
personalidade. Tal solidão brota da rejeição afetiva, da infância sem amor
e
leva à luta pela própria afirmação dentro do meio. Esse é o traço comum aos
protagonistas
desses romances: lutam sempre contra algo e o fazem
solitariamente, sem entrar em comunhão
com alguém. A descoberta do outro no
sentido negativo – asfixiante certeza de que não há possibilidade de
comunhão – vencemos ou somos vencidos pelos outros.
Otto Maria Carpeaux, no estudo já mencionado, diz que “a realidade, nos
romances de GR,
não é deste mundo. É uma realidade diferente”. E qual seria
ela? Citando Álvaro Lins, que
observa: “As outras personagens são projeções
da personagem principal. Julião Tavares e
Marina só existem para que Luís
Silva cometa o seu crime. Tudo vem ao encontro da personagem principal –
inclusive o instrumento do crime”, Carpeaux vê aí a chave da obra do
romancista,
porque elas descrevem a nossa situação no sonho, onde o mundo é
criação do nosso espírito. “Explica-se assim o extremo egoísmo dos heróis de
Ramos: é o egoísmo daquele que sonha e
para o qual prisioneiro dum mundo
irreal, só ele mesmo existe realmente.” E conclui:
“ Os romances de
Graciliano Ramos são experimentos para acabar com o sonho de angústia
que é
esta vida”.
Podemos observar que há óbvias coincidências e relações entre as posições
dos três críticos.
No caso especial de Angústia, vemos que Luís, um homem
desenraizado na cidade, reduzido à insignificância, reage rejeitando
violentamente a vida estúpida que leva. Observamos que ele faz
isso de um
modo solitário e, mais do que na solidão, termina no solipsismo; e não é
difícil aceitar
que o mundo em que se move o protagonista afasta-se cada vez
mais da realidade para se
constituir num mundo de sonho.
No entanto, o que mais chama a atenção foi a impotência do protagonista em
sair dos seus
delírios, em ligar-se a alguém, em aceitar. Significativo é o
fato, já observado por Carpeaux, de
que a seqüência das últimas páginas do
romance está nas primeiras! Isso caracteriza uma circularidade, um universo
fechado do qual o gesto tresloucado de Luís não conseguiu libertá-lo!
Eu
diria, portanto, que o tema da obra está nessa impotência do protagonista em
superar a insignificância da vida e a solidão. A inutilidade de todos os
esforços.
Leia Trechos da Obra Vivo agitado, cheio de terrores, uma
tremura nas mãos, que emagreceram. As mãos já não são minhas: são mãos de
velho, fracas e inúteis. As escoriações das palmas cicatrizaram.
Impossível trabalhar. Dão-me um ofício, um relatório, para datilografar, na
repartição. Até dez
linhas vou bem. Daí em diante a cara balofa de Julião
Tavares aparece em cima do original, e os meus dedos encontram no teclado
uma resistência mole de carne gorda. E lá vem o erro. Tento vencer a
obsessão, capricho em não usar a borracha. Concluo o trabalho, mas a resma
de papel
fica muito reduzida.
À noite fecho as portas, sento-me à mesa da sala de jantar, a munheca
emperrada, o pensamento vadio longe do artigo que me pediram para o jornal.
.................
Em duas horas escrevo uma palavra: Marina. Depois, aproveitando letras deste
nome, arranjo coisas absurdas: ar, mar, rima, arma, ira, amar. Uns vinte
nomes. Quando não consigo formar combinações novas, traço rabiscos que
representam uma espada, uma lira, uma cabeça de mulher e outros disparates.
Penso em indivíduos e em objetos que não têm relação com os desenhos:
processos, orçamentos, o diretor, o secretário, políticos, sujeitos
remediados que me desprezam porque sou um pobre-diabo.
Não posso pagar o aluguel da casa. Dr. Gouveia aperta-me com bilhetes de
cobrança.
Bilhetes inúteis, mas dr. Gouveia não compreende isto. Há também o
homem da luz, o Moisés
das prestações, uma promissória de quinhentos
mil-réis, já reformulada.
E coisas piores, muito piores.
O artigo que me pediram afasta-se do papel. É verdade que tenho o cigarro e
tenho o álcool,
mas quando bebo demais ou fumo demais, a minha tristeza
cresce. Tristeza e raiva.
Ar, mar, ria, arma, ira. Passatempo estúpido.
........................
reparando-se bem, a cara balofa de Julião Tavares muito aumentada. Essas
sombras se
arrastam com lentidão viscosa, misturando-se, formando um novelo
confuso.
...............................
Que estará fazendo Marina? Procuro afastar de mim essa criatura. Uma viagem,
embriaguez, suicídio...
Penso no meu cadáver, magríssimo, com os dentes arreganhados, os olhos como
duas
jabuticabas sem casca, os dedos pretos do cigarro cruzados no peito
fundo.
Os conhecidos dirão que eu era um bom tipo e conduzirão para o cemitério,
num caixão barato,
a minha carcaça meio bichada. Enquanto pegarem e soltarem
as alças, revezando-se no mister piedoso e cacete de carregar defunto pobre,
procurarão saber quem será o meu substituto na Diretoria da Fazenda.
Enxoto as imagens lúgubres. Vão e voltam, sem vergonha, e com elas a
lembrança de Julião Tavares. Intolerável. Esforço-me por desviar o
pensamento dessas coisas. Não sou um rato,
não quero ser um rato. Tento
distrair-me olhando a rua.
À medida que o carro se afasta do centro sinto que me vou desanuviando.
Tenho a sensação de
que viajo para muito longe e não voltarei nunca. Do lado
esquerdo são as casas da gente rica, dos homens que me amedrontam, das
mulheres que usam peles de contos de réis. Diante delas,
Marina é uma ratuína. Do lado direito, navios. Às vezes há diversos ancorados. Rolam
bondes
para a cidade, que está invisível, lá em cima, distante. Vida de
sururu.
.........................
O carro passa pelos fundos do tesouro. É ali que trabalho. Ocupação estúpida
e
quinhentos mil-réis de ordenado.
Rua do Comércio. Lá estão os grupos que me desgostam. Conto as pessoas
conhecidas:
quase sempre até os Martírios encontro umas vinte. Distraio-me,
esqueço Marina que algumas
ruas apenas separam de mim. Afasto-me outra vez
da realidade, mas agora não vejo os navios,
a recordação da cidade grande
desapareceu completamente. O bonde roda para oeste, dirige-se
ao interior.
Tenho a impressão de que ele me vai levar ao meu município sertanejo. E nem
percebo os casebres miseráveis que trepam o morro, à direita, os palacetes
que têm os pés na lama, junto
ao mangue, à esquerda. Quanto mais me aproximo
de Bebedouro mais remoço. Marina, Julião Tavares, as apoquentações que tenho
experimentado estes últimos tempos, nunca existiram.
...........................
Agora a chuva é um pouco diferente, o nevoeiro menos denso. De longe em
longe a água bate
no telhado com força, depois continua a peneira que oculta
o jardim da casa vizinha.
Se Marina tivesse a idéia de se banhar ali àquela hora da tarde, eu não lhe
veria o corpo.
Talvez visse apenas uma sombra, como acontece no cinema
quando se apresentam mulheres nuas. Este pensamento esquisito - Marina
despida, arrepiada, coberta de carocinhos - bole comigo
durante alguns
minutos.
..........................................
Quando eu ainda não sabia nadar, meu pai me levava ............segurava-me
um braço e a
tirava-me num lugar fundo. Puxava-me para cima e deixava-me
respirar um instante.
Em seguida repetia a tortura. Com o correr do tempo
aprendi natação com os bichos e livrei-me disso. Mais tarde, na escola de
mestre Antônio Justino, li a história de um pintor e de um
cachorro que
morria afogado. Pois para mim era no poço da Pedra que se dava o desastre.
Sempre imaginei o pintor com a cara de Camilo Pereira da Silva, e o cachorro
parecia-se comigo.
Se eu pudesse fazer o mesmo com Marina, afogá-la devagar, trazendo-a para a
superfície
quando ela estivesse perdendo o fôlego, prolongar o suplício um
dia inteiro...
.........................
Daqui também se vêem algumas roseiras maltratadas no quintal da casa
vizinha. Foi entre
essas plantas que, no começo do ano passado, avistei
Marina pela primeira vez, suada,
os cabelos pegando fogo.
Lá estão novamente gritando os meus desejos. Calam-se acovardados, tornam-se
inofensivos, transformam-se, correm para a vila recomposta. Um arrepio
atravessa-me a espinha,
inteiriça-me os dedos sobre o papel. Naturalmente
são os desejos que fazem isto, mas atribuo
a coisa à chuva
que bate no
telhado e à recordação daquela peneira ranzinza que descia do céu dias e
dias.
.................................
Não, não é o sino da igreja, é o relógio da sala de jantar. Oito e meia.
Preciso vestir-me
depressa, chegar à repartição às nove horas. Apronto-me,
calço as meias pelo avesso e saio correndo. Paro sobressaltado, tenho a
impressão de que me faltam peças do vestuário.
Assaltam-me dúvidas idiotas.
Estarei à porta de casa ou já terei chegado à repartição?
Em que ponto do
trajeto me acho? Não tenho consciência dos movimentos, sinto-me leve.
Ignoro
quanto tempo fico assim. Provavelmente um segundo, mas um segundo que parece
eternidade. Está claro que todo o desarranjo é interior. Por fora devo ser
um cidadão como os
outros, um diminuto cidadão que vai para o trabalho
maçador, um Luís da Silva qualquer.
Mexo-me, atravesso a rua a grandes
pernadas.
..........................................
Dois minutos depois estamos sentados num banco da Praça Montepio. Aqui há
sossego, não
vêm cá certos indivíduos impertinentes. O que me desgosta é ver
de relance, nos bancos do
centro, que a folhagem disfarça mal, pessoas
atracadas. Sinto furores de moralista.
Cães! Amando-se em público, descaradamente! Cães! Tremo de indignação. Depois esmoreço: julguei
distinguir entre as folhas dos crótons o vulto de Marina. Foi ilusão, mas a
imagem permanece. Cachorrada!
Biografia
Graciliano Ramos nasceu em Quebrângulo (AL), em 1892. Um dos 15 filhos de uma família de classe média do sertão nordestino,
passou parte da infância em Buíque (PE) e outra em Viçosa (AL). Fez estudos secundários em Maceió, mas não cursou faculdade.
Em 1910, sua família se estabelece em Palmeira dos Índios (AL).
Em 1914, após breve estada no Rio de Janeiro, trabalhando como revisor, retorna à cidade natal, depois da morte de três
irmãos, vitimados pela peste bubônica. Passa a fazer jornalismo e política em Palmeira dos Índios, chegando a ser prefeito da
cidade (1928-30).
Em 1925, escreve seu primeiro romance, Caetés. Muda-se para Maceió em 1930,
e dirige a Imprensa e Instrução do Estado. Logo viriam São Bernardo (1934) e
Angústia (1936, ano em
que foi preso pelo regime Vargas, sob a acusação de
subversão).
Memórias do Cárcere (1953) é um contundente relato da experiência na prisão.
Após ser solto,
em 1937, Graciliano transfere-se para o Rio de Janeiro, onde
continua a publicar não só
romances, mas contos e livros infantis. Vidas
Secas é de 1938.
Em 1945, ingressa no Partido Comunista Brasileiro. Sua viagem para a Rússia
e outros países
do bloco socialista é relatada em Viagem, publicado em 1953, ano de sua morte.
Obras
| 1933 - Caetés |
1934 - São Bernardo |
| 1936 - Angústia |
1938 - Vidas Secas |
| 1939 - Terra dos Meninos Pelados |
1942 - Brandão Entre o Mar e o Amor |
| 1944 - Histórias de Alexandre |
1945 - Infância |
| 1946 - Histórias Incompletas |
1947 - Insônia |
| 1953 - Memórias do Cárcere |
1954 - Viagem |
| 1962 - Linhas Tortas |
1962 - Viventes das Alagoas |
| 1962 - Alexandre e Outros Heróis |
1980 - Cartas |
| 1984 - O Estribo de Prata |
1992 - Cartas a Heloisa |
Teste Seus Conhecimentos
1) Qual a profissão de Luís Silva, protagonista de "Angústia"?
a) comerciante
b) presidente da República
c) funcionário público
d) médico
--------------------------------------------------------------------------------
2) Onde nasceu Graciliano Ramos?
a) Guaribas (PE)
b) Penápolis (SP)
c) Quebrângulo (AL)
d) Feira de Santana (BA)
--------------------------------------------------------------------------------
3) Quando escreveu "Angústia", Graciliano Ramos foi preso. Por que?
a) ele não poderia ser escritor
b) ele foi acusado de subversão
c) ele escreveu um artigo com informações erradas
d) ele cometeu um homicídio, o qual relata no livro
--------------------------------------------------------------------------------
4) Que livro Graciliano Ramos escreveu na prisão?
a) Angústia (1936)
b) Memórias do Cárcere (1953)
c) Vidas Secas (1938)
d)São Bernardo (1934)
--------------------------------------------------------------------------------
5) Qual é o tema central de "Angústia"?
a) Luís Silva e Julião Tavares são traídos por uma mulher
b) Luís Silva e Julião Tavares são presos pelo regime militar
c) Luís Silva e Julião Tavares disputam a mesma mulher
d) Luís Silva e Julião Tavares descobrem que são irmãos
_________________________________________
Gabarito:
1) C - 2) C - 3) B
- 4) B - 5) C
Fontes de Referências
Yudith Rosenbaum é professora de literatura brasileira na USP (Universidade de São Paulo) e colaboradora da Folha
http://www.amoliteratura.hpg.com.br/angustia.htm
Unicamp - Artigo de maio de 2003 sobre os 50 anos após a morte de Graciliano Ramos.
http://www.graciliano.com.br/
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Fontes
Yudith Rosenbaum é professora de literatura brasileira na USP (Universidade de São Paulo) e colaboradora da Folha
http://www.amoliteratura.hpg.com.br/angustia.htm
http://www.graciliano.com.br/ |
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