A arte Egéia está associada às culturas que floresceram no mar Egeu e que foram principalmente três:
1. Ilhas Cíclades - Cicládica |
2. Creta - Cretense/Minóica |
3. Continente grego - Helênica/Micênica |
Embora apresentem elementos comuns, a arte dessas culturas não é unitária e apesar das especificidades de cada cultura
verifica-se o predomínio da cretense.
Desde 5.000 a C identificam-se elementos comuns na arte dessas culturas neolíticas em Creta e nas ilhas Cíclades de provável
origem Oriental. Entre 2.700 e 2.500 a C, Creta e Cíclades já estão amadurecidas.
ARTE CICLÁDICA
A cultura das ilhas Cíclades é ainda uma grande incógnita, pois dela praticamente pouco restou além de modestas sepulturas
em pedra.
Em termos de produção artística destaca-se a cerâmica (vasos, taças e cálices) decorada com motivos geométricos
lineares, espirais ou curvilíneos.
Outro destaque são os ídolos de mármore que são de poucos centímetros ao tamanho natural, num motivo abstrato onde a cabeça é um
ovóide e o único relevo é o nariz. Aparecem também pequenas figuras de homens tocando lira ou flauta e mulheres segurando
crianças.
RELAÇÃO HISTÓRICA ENTRE A CIVILIZAÇÃO CRETENSE E A MICÊNICA.
Ilha de Creta
| Foi a cultura mais importante, com grande influência; |
| período de florescimento de 3.000 a 1.400 a C; |
apogeu ocorreu entre 2.000 a C á1.400 a C, domínio micênico. |

Região do Peloponeso
| cerca de 1.900 a C, os Aqueus chegam à região do Peloponeso; |
| povo de língua grega; |
| 1.600 a C: cultura já estabelecida baseada no comércio marítimo. |
| Cidades fortificadas, sendo a maior delas a de Micenas; |
| 1.400 a C Micenas torna-se rica e poderosa e conquista Creta; |
1.300 a C em diante: desordens no Mediterrâneo - queda do comércio e declínio econômico de Micenas
que passa a tomar pela força o que não conseguia pelo comércio. |
OS CRETENSES VIDA E SOCIEDADE
Povo marítimo, com economia baseada no comércio de produtos agrícolas e produtos artesanais, possuía domínios de príncipes
locais zelosos de sua independência e aparentemente desinteressados de se tornarem soberanos absolutos. O rei da cidade de
Knossos parece que tinha um pouco mais de importância. O rei MINOS. Na verdade Minos foi uma dinastia que tomou conta de Knossos
entre 1700 a 1450 a C. e proporcionou um período áureo da civilização cretense. O rei tinha função religiosa mais sua principal
função era a de empresário.
A religião era amena e não desempenhou papel determinante na cultura cretense, Culto à deusa-mãe geradora da espécie humana,
rainha dos animais e das plantas. Havia um grande número de divindades femininas e um número também grande de representações
femininas. Tinham rituais funerários mas não se afligiam por terrores sobrenaturais e nem se esforçavam para preservar os restos
mortais, apesar de acreditarem na vida após a morte.
Seus costumes: gostavam de esportes, cultuavam o corpo, danças, tauromaquias, lutas. Os homens usavam tangas no dia-a-dia e
saiotes com cinturões ajustados, sandálias ou botas nas ocasiões especiais; cabelos longos e barbas feitas. As mulheres usavam
saias apertadas na cintura, corpetes justos, babados coloridos; às vezes seios à mostra; penteados para cima com cachos soltos
na testa e laterais; uso de batons e sombras; às vezes depilação de sobrancelhas. A mulher tinha maior liberdade do que era
habitual na época. Muitos atribuem a eles a invenção da dança.

ARQUITETURA
Inexistência de construções funerárias e religiosas de caráter monumental ou colossal, bem como a ausência de uma arquitetura
militar significativa. A arquitetura palaciana possui caráter informal ( não existe um esquema pré-determinando; não tem
preocupação com o fausto, imponência e ostentação). Vão se tentando soluções mais adequadas para satisfazer as necessidades
práticas.
Há uma preocupação com o conforto e defesa contra o calor, pátios de arejamento e terraço. Construção do palácio articulada
em vários planos, tubulações para água e esgoto, bem como a presença de uma sala de banho.

ESCULTURA
É pouco significativa com ausência de composições grandiosas. Constitui-se basicamente de figuras pequenas de argila ou
terracota (argila cozida) ou outros materiais locais. Os temas prediletos são: animais e devotos femininos (deusas e
sacerdotisas).
Destacam-se ainda os ritons, pequenas vasilhas em pedra, argila ou metal, geralmente com forma de animais divinizados e com
função ritualística.
PINTURA E BAIXOS RELEVOS
As pinturas e os relevos conhecidos são em sua maioria de 1.600 a 1450 a C, fase que coincide com o naturalismo na
pintura da cerâmica. Influência egípcia quanto à forma com as figuras fortemente contornadas, cores chapadas, lei da frontalidade
e influência quanto à técnica com afrescos e relevos pintados. Mas a pintura difere-se da egípcia pela harmonia decorativa,
liberdade de concepção, gosto pelo movimento (ondulatório principalmente) e pelo seu caráter profano. Na pintura cretense
identifica-se o uso das cores vivas e contrastantes, o vermelho, azul e branco são as principais, mas também usam o marrom, o
amarelo, o verde e às vezes o cinza e o rosa.
Os temas na pintura são variados: cenas da vida palaciana, procissões rituais, acrobacias, esportes e danças, flores exóticas
e animais fantásticos. A finalidade era decorativa.
CERÂMICA
Das mais belas do mundo antigo, primoroso acabamento dos vasos, taças e ânforas decoradas com motivos pintados
ou gravados.
1ª fase: motivos geométricos (triângulos, retângulos e espirais) e motivos vegetais estilizados.
2ª fase: naturalista com predomínio da temática marinha. Vasos rituais com formas dos animais divinizados.
3ª fase: retorno à estilização geométrica. Composições simétricas.
OS MICÊNICOS
A civilização micênica imitou muito de longe a arte cretense, mas a sua arquitetura apresentou traços próprios. Suas
construções são longas e retangulares. Internamente apresentavam as seguintes divisões; um vestíbulo, uma antecâmara e um grande
salão - O Megaron - que era a sala principal do palácio.
Além disso, a arquitetura micênica apresentava um caráter de monumentalidade que não havia em Creta. Possuía também um tom
militar nas suas construções com cidades amuralhadas.
Os micênicos decoravam as paredes de seus palácios com pinturas, mas usaram motivos muito diferentes dos artistas de Creta. Na
pintura micênica aparecem guerreiros, cenas de caça e desfiles de carros, e não mas figuras leves e ágeis.
Na Escultura destacam-se dos leões colocados em cima da entrada principal da muralha feita por enormes blocos de pedra que
cercava Micenas. A monumentalidade dessa entrada, chamada Porta dos Leões, sugere os valores principais daquela civilização: a
força e a agressividade.
Na Cerâmica micênica, manifesta-se influência cretense mais na forma que na decoração, mas as pinturas revelam uma intenção de
caráter narrativo e não só ornamental, assinalando, deste modo, uma das principais correntes da ornamentação cerâmica grega.
Com muita freqüência os temas marítimos persistem embora falta-lhes sutileza e imaginação.
Os objetos de ourivesaria encontram paralelo nos objetos descritos pelo poeta Homero na Ilíada e Odisséia.É o caso de uma
expressiva máscara funerária de um príncipe micênico, que se considerou como sendo Agamenon, rei de Micenas, que participou
da guerra de Tróia.
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BIBLIOGRAFIA
CAVALCANTI, Carlos - História das Artes, Editora Rio.
BAZIN, Germain, 1976 História da Arte . Lisboa, Martins Fontes.
JANSON, H. W. História del Arte. Barcelona, Labor, 1972
CIRLOT, Juan E. 1981. Dicionário de símbolos. Barcelona, Labor.
CHILVERS, Ian 1996. The Oxford dictionary of Art. Tradução Marcelo Brandão. São Paulo, Martins Fontes |
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