Linguagem Infantil
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Como a Imitação Influencia a Linguagem Infantil

Rafael Lira Gomes Bastos
 
Reflexão crítica sobre os principais pontos da linguagem
dentro da ótica behaviorista ou comportamentalista.


O texto trata de uma reflexão crítica sobre os principais pontos da linguagem dentro da ótica behaviorista ou comportamentalista. Queremos mostrar a influência dos estudos behavioristas no processo de aquisição e
desenvolvimento da linguagem, antes fazendo um apanhado claro das fundamentações teóricas do empirismo, no qual acredita que todo
comportamento pode ser condicionado através de um estímulo.

O artigo procura entender as contribuições do comportamentalismo dentro
do universo lingüístico, elucidando seus pontos principais, num sistema
imparcial de análise

Para entendermos qual a contribuição das teses behavioristas para os estudos
da aquisição e desenvolvimento da linguagem, precisamos, a priori, destacar
para o leitor uma visão geral e conceitual dessa tese, que para
Campos (2005, p. 174), seria que: “Através do condicionamento, a
máquina - o corpo – é regulado para comporta-se de uma maneira previsível.
Para um psicólogo S – R, então, todo comportamento é dirigido pelo estímulo, quer o estímulo provenha de dentro ou de fora do organismo”.
Ou seja, o behaviorismo, do termo inglês “behavior”, significando comportamento, propõe que todo e qualquer aprendizado é adquirido através
das experiências empíricas, a memorização, a repetição exaustiva, torna-nos capazes de adquirir algum conhecimento, inclusive a linguagem.

Nessa tendência psicológica, com início no despertar do século XX, o conceito
que lhe determina são os de estímulo e respostas (S- R), abreviatura dos termos latinos “Stimulus – Responsio”, tendo como um de seus principais teóricos B. F.

 Skinner (1904 – 1990), que lançou teorias sobre o condicionamento para se chegar a um comportamento pré-estabelecido, lançando mão das experiências  conduzidas pela “Caixa de Skinner”, através do reforço positivo e negativo, que na idéia de Campos (2005, p. 193):
 
Um reforço positivo consiste em adicionar alguma coisa – alimento,
água ou um sorriso do professor – ao ambiente do organismo. Um reforço negativo consiste em retirar alguma coisa – um som muito alto, um choque elétrico, ou uma carranca do professor – da situação.

O reforço está ligado a noção de prêmio, de um estímulo, para
ser adquirida uma resposta desejada, um comportamento satisfatório.

Numa visão geral, essa teoria descarta a possibilidade
das emoções, do aprendiz sujeito de seu conhecimento, todos são “tabulas rasas”, sendo assim, a aquisição da linguagem ou de outro aprendizado, não é inata, e sim, empírica.


As teses behavioristas sobre a aquisição da linguagem.

Para os behavioristas “a criança é uma ‘tabula rasa’, [...] ela só desenvolve seu conhecimento lingüístico por meio de estímulo - respostas (S – R), imitação e reforço”, (DEL RÉ, 2006, p.18).
A criança aprende falar pelo simples fato de conseguir memorizar as palavras ou frases da língua, sendo reforçada positivamente quando necessário fosse para aprender um novo comportamento lingüístico.

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O empirismo parece nesse contexto, colocando a língua(gem) como apenas uma convenção social, onde a criança não faz parte ativa desse processo, adquire e desenvolve através das respostas condicionadas ou da aprendizagem por memorização.
Assim, o adulto desempenha um papel preponderante para tornar a criança um falante competente, como explica Kaufman (1996, p. 58):

Os comportamentalistas enfatizam o papel da pessoa que cuida das crianças em modelar as formas adultas corretas e em, seletivamente, reforçar ( punir e recompensar) as produções imitativas da criança. Através desse processo, a criança, por fim, torna-se um comunicador maduro.

Pelo menos até a primeira metade do século XX, acreditou-se na teoria behavioristas para
explicar como o ser humano adquire a língua(gem), daí em diante essa concepção começou
a sofrer grande oposição por parte do lingüístico Noam Chomsky, que derrubou
suas teses e lançou o inatismo.

Um dos principais problemas que transcendem a explicação comportamentalista está na
capacidade criativa da criança, como explicar de que maneira ela pode memorizar ou repetir
aquilo que nunca ouviu?
Nota-se que na maioria dos casos, as crianças no processo de aquisição
da linguagem, tende a generalizar o uso dos verbos regulares para os irregulares, como por exemplo, o verbo irregular saber, que é
freqüentemente pronunciado na primeira pessoa do singular no presente
do indicativo como “sabo”, seguindo a regra dos verbos irregulares,
a exemplo do verbo comer que na mesma pessoa e tempo ficaria “como”.
 
Está evidente que a criança não é totalmente passiva nesse processo que
por sua vez, não é tão simples, ela pode construir e reconstruir dentro de
seu universo lingüístico. Porém, não fica totalmente excluída a
possibilidade da memorização, da imitação e dos estímulos fazerem
parte efetiva deste aparato lingüístico.

“Presumivelmente, frases e sentenças podem ser aprendidas através do processo de
memorização”, esclarece-nos (krech e Crutchfield, 1980, p.123), já que de certa forma
todos nós controlamos e somos controlados. Á medida que o comportamento for mais
profundamente analisado, o controle virá a ser mais eficaz. Mais cedo ou mais tarde,
 passaremos por um desses estágios.

CONCLUSÃO

Ao chegarmos no final dos estudos afirmamos que não existe nenhuma concepção mais ou
menos favorável para os estudos de aquisição e desenvolvimento da linguagem, cada uma
deu ou deram sua importante contribuição e submeteram favoráveis conceitos inerentes ao estudo.

Por algumas vezes, encontramos opiniões controversas sobre o assunto, que tem de ser
analisados com bastante imparcialidade para que não sejamos injustos, ao não percebemos
seu valor, por isso o behaviorismo ainda nos permite levar em conta suas teorias, e com
um olhar crítico percebermos onde o estudo pode ser mais favorável
dentro da realidade lingüística.

Como conseqüência desse processo, entendemos que o estímulo - resposta não tem o poder auto-suficiente para determinar o processo de
aquisição de linguagem, contudo, pode influenciar o desenvolvimento melhor ou pior desta, o meio ainda tem grande poder pra transformar
ou manter uma determinada realidade, inclusive a lingüística.

Portanto, não podemos simplesmente descartar as contribuições do behaviorismo na aquisição da linguagem, mesmo sendo a partir das
brechas que ele deu para que novos conceitos fossem lançados. Diríamos que as teses comportamentalistas não foram somente ultrapassadas, mas no fundo, transformadas.

 

 


Referências Bibliográficas

1. CAMPOS, D. M. de S. Psicologia da aprendizagem. 34º edição. Petrópolis, Vozes, 2005.

2. CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. 12º edição. 4º impressão. São Paulo: Ática, 2001.

3. DEL RÉ, A. Aquisição da linguagem: uma abordagem psicolingüística. São Paulo:
Contexto, 2006.

4. KAUFMAN, Diana. A natureza da linguagem e sua aquisição. In GEBER, Adele.
Problemas de aprendizagem relacionados à linguagem: sua natureza e tratamento.
Tradução de Sandra Costa. Porto alegre: Artes Médicas, 1996.

5. KRECH, d; CRUTCHFIELD, R. Elementos de Psicologia. Tradução de Dante
Moreira Leite e Miriam L. Moreira Leite. 6º edição. São Paulo: Pioneira, 1980.

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Rafael Lira Gomes Bastos
faz parte do Grupo de Estudos Lingüísticos e Sociais(GELSO), coordenado pelo professor Vicente Martins,
da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), em Sobral, Ceará.