O período em que o Brasil era colônia de Portugal, estendeu-se do século XVI ao século XIX.
Ao longo dessa fase, a economia brasileira desenvolveu atividades diversas, tanto
extrativistas quanto agrícolas, produzindo
mercadorias que atendesse as necessidades de consumo do mercado externo, ou seja, da Europa.
A metrópole portuguesa controlava e fiscalizava severamente a produção na colônia, organizando e disciplinando a circulação
comercial através de um conjunto de práticas mercantilistas que, na verdade, representava uma transferência de riqueza ou
capital da colônia para a Metrópole.
Esta política, que chamamos mercantilista, promovia uma ligação entre o "capitalismo" comercial e o absolutismo político e, de
forma agressiva, tentava maximizar os instrumentos de poder econômico e político, permitindo o fortalecimento do Estado português e
o enriquecimento da burguesia.

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Deve-se lembrar, ainda, que o colonialismo é apenas uma faceta do mercantilismo,ou seja, apenas uma de suas práticas que possuía
como objetivo central a concentração ou o acúmulo e metais preciosos pelas nações, principalmente através da manutenção de uma
balança comercial favorável ou superavitária.
Note-se que hoje, a tendência do capitalismo não é de acumular, mas reaplicar os capitais em atividades diversas visando
ampliá-lo e protegê-lo contra possíveis instabilidades do mercado.
A exploração de colônias e a produção gerada deveriam atender às necessidades de consumo do mercado europeu.
A colônia deveria ser explorada visando propiciar lucros ás metrópoles. Para o bom êxito dessa empreitada deveriam respeitar o
regime do monopólio colonial, ou "exclusivo metropolitano" que adaptava o comercio da colônia em favor da metrópole.
É nessa conjuntura, situação e momento, que o Brasil entra em cena na história oficial.
Á partir de, aproximadamente, 1500 o território começa a ser integrado com seus recursos naturais e humanos á economia do
velho mundo.
Primeiramente, Portugal avalia as possibilidades das regiões que haviam conquistado: |
nas Índias, teria os produtos asiáticos, as lucrativas especiarias e um mercado consumidor atraente |
| na África, o marfim, uma pequena quantidade de metais preciosos, escravos |
á princípio, apenas o pau-brasil poderia se explorado, mas, era um produto existente também no oriente. |
Nessa análise, Portugal opta por direcionar seu interesse pelas duas primeiras regiões, Índias e África, deixando o Brasil
num plano secundário.
As perspectivas econômicas
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"....Pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas...." foram, segundo descrição de Caminha, os habitantes
encontrados aqui por Cabral.
Num primeiro momento parecia decepcionante pois não oferecia grandes perspectivas de atingir os objetivos mercantilistas. |
Apesar dos boatos, não possuíam tesouros a serem surrupiados, como nas colônias espanholas da América Central e sul; as jazidas
de metais ou pedras preciosas estava muito mais no Terreno da especulação e as buscas redundavam em fracassos.
A estrutura econômica desse indígena não apresentava uma base tributável.
Encontravam-se ainda, numa fase bem primitiva, vivendo da caça, da pesca, da coleta e de uma agricultura de subsistência e
seminômade;
a domesticação de animais não era praticada, conheciam a cerâmica, mas não trabalhavam os metais.
Em síntese, um nível de renda precário que não permitia a cobrança de taxas ou impostos apreciáveis.
As terras eram generosas, tanto em quantidade, como em qualidade, o clima favorável, águas abundantes e boas perspectivas de
desenvolver uma produção de gêneros agrícolas lucrativos não encontrados na Europa.
As terras brasileiras, logo, passaram a ser arrendadas a particulares portugueses, que teriam como obrigação, pagar á coroa
portuguesa 20% ou 1/5 do lucro obtido.
Esses arrendatários recebiam porções do território, onde criavam feitorias, contratava a mão de obra indígena que seriam
encarregados de armazenar nas feitorias as mercadorias extraídas na região (pau brasil, drogas medicinais,animais exóticos
peles, madeiras diversas, etc).
Era uma atividade extrativa realizada de forma predatória. Esgotado os produtos, abandonavam a feitoria e partiam para um outro
local, por isso não foi possível, nesse momento, promover o povoamento das terras do Brasil.
As Primeiras Experiências Colonizadoras
Por volta de 1530, a metrópole portuguesa percebe que o Brasil está sendo invadido por
entrelopos ingleses, franceses e holandeses;
percebe, também, que estes mesmos
contrabandistasfazem incursões nas rotas comerciais indianas, buscando produtos
asiáticos, revendendo-os na Europa, concorrendo com a coroa portuguesa e, conseqüentemente,
afetando seus lucros.
Diante do problema, Portugal resolve dar início efetivamente, á colonização das terras brasileiras.
Para a consecução desse intento nos manda Martim Afonso de Souza, que ao chegar, analisar e avaliar, toma as medidas cabíveis:
expulsa os estrangeiros, funda vilas (São Vicente e Santo André), introduz a cana de açúcar, o gado, etc.
Nessa primeira experiência, Martim Afonso, entre 1500\1532, fixou degredados em vários pontos do litoral brasileiro,
com sementes de produtos vários para testar as possibilidades de implementação de uma produção agrícola lucrativa para
Portugal. |
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A princípio, a mão de obra indígena será utilizada. Posteriormente, opta-se pelo trabalho escravo africano.
Essa preferência tem explicações praticas e convenientes: Portugal alega que o indígena
não se adaptava ao trabalho sedentário
e agrícola. Na cultura indígena, o trabalho agrícola
é seminômade e feminino; a atividade masculina, se resumia, quase que
essencialmente,
a pesca, caça e a guerra.
Para fortalecer essa idéia, a coroa portuguesa e a igreja (Bula "Universis Christi Fidelibus - Paulo III - 1537 e uma
lei d’El Rei Dom Sebastião I de 1570) passam a pregar a "desumanidade" da escravização do silvícola.
Mas, a verdade é outra, Portugal, tendo o controle das costas da África, pretendia vender aqui uma mercadoria mais lucrativa: o
escravo africano (introduzidos no Brasil desde oreinado de Dom João III, especificamente, de 1542 em diante). Assim, foram
criadas uma série de proibições legais e religiosas, mais legais que religiosas, á escravização do índio.
A esperança de encontrar metais preciosos permanecia latente na cabeça e na cobiça dos colonizadores, mas enquanto isso não ocorria
tratava-se de, observando os ditames da política mercantilista estabelecer as bases de uma exploração econômica da região visando
gerar uma fonte de receita lucrativa, a ponto de compensar o esforço.
A exploração das terras brasileiras segue avante, aos trancos e barrancos. Enquanto o produto cobiçado não dá as caras, o ouro e
as pedras preciosas, vai se cultivando outros artigos desejados pelo mercado europeu.
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Normalmente, esses produtos são explorados de maneira intensiva, em forma de monocultura e em grandes extensões
de terras.
Dependia estes, da demanda do consumo europeu.
Se a procura era grande, a produção, por aqui, aumentava e vice-versa. O período em que aquele produto determinado estava
em ascensão foi chamado de "Ciclo".
Esse tipo de orientação na economia, ou seja, o caráter cíclico, pode ser notado em quase toda a fase do período colonial,
adentrando, ainda o momento imperial do século XIX, e início do século XX |
Tivemos, então, deste o início da colonização, alguns "ciclos" destacados:
O ciclo do pau brasil (XVI), o ciclo da cana de açúcar (XVII), o ciclo do ouro ou da mineração (XVIII), o ciclo do café (XIX)
que se estende até por volta de 1920.
Paralelamente aos ciclos, eram cultivados produtos de importância secundária, mas necessários na sustentação do artigo principal:
são os denominados produtos ancilares ou, simplesmente, subciclos.
Estes produtos, num determinado momento, exerciam papel importante na exportação, mas sem o destaque do artigo principal (por
exemplo: açúcar como ciclo e o tabaco e a aguardente como produtos ancilares).
Uma outra característica dos subcíclo é a fato do produto principal, cíclico, poder transformar-se, após seu auge, em produto
secundário ou ancilar (exemplo: o açúcar durante o ciclo da mineração).
Conclusão
Mudança, significativa, nessa orientação econômica, só vamos perceber após as duas primeiras décadas do século XX com a lenta e
tímida diversificação da economia.
Hoje o Brasil possui uma pauta de exportação variada: minérios diversos, aço, automóveis, soja, açúcar, material eletrônico,
etc..
É oportuno lembrar que aquela economia de caráter cíclico provocou uma série de efeitos negativos:
a economia monocultora era vulnerável ás flutuações do mercado.
Crise no mercado externo, representava crise na economia interna;
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o controle dessa produção estava em mãos de poucos proprietários levando a uma concentração de renda á favor de
uma minoria;
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a mão de obra escrava gerava um mercado consumidor fraco, afinal escravos trabalham mas não recebem.
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Outro fator negativo a destacar seria a centralização da produção em uma determinada região, o que provocava o
desgaste, o abandono e disparidades de desenvolvimento regionais. |
Concluindo, não podemos registrar como "economia brasileira" essa estrutura produtiva mercantilista dos primeiros 300 anos após o
descobrimento e sim como "economia colonial no Brasil, desde que, os lucros advindos dessa exploração se dirigiam á metrópole
portuguesa não beneficiando o nosso desenvolvimento.
Mas, alguns dos produtos ancilares se destacam por terem gerado renda não para exportação e sim para a própria colônia.
E o caso da pecuária, que importante para a empresa açucareira, também complementava a alimentação da população, sendo usada,
ainda, como meio de transporte e força motriz e propiciando um meio de renda para populações carentes da colônia".
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Eustáquio Lagoeiro Castelo Branco Webmaster, Webwriter, professor graduado em história e sociologia,
pós-graduado com especialização em informática educacional
eduquenet@eduquenet.net |
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