a sério essa máscara que chegam até a enganar a si mesmas,
acreditando nela como a personalidade real.Por causa desses elementos temáticos, notamos uma peculiaridade nos contos machadianos.
Esse gênero, graças à sua brevidade, dá, por tradição, forte atenção a elementos narrativos.
Não há espaço, pois, para digressões, tudo tendo de ser rápido e econômico.
No entanto, no grande autor em questão o mais importante é o psicológico, o que permite o caminho para características
marcantes do escritor, como intertextualidade, metalinguagem e
até a digressão, entre tantas , tornando a leitura muito mais saborosa.
Vistos todos esses elementos, pode-se apresentar a seguir o resumo dos contos de Machado de Assis cobrados pela UFRGS.
Missa do Galo
Belíssimo conto narrado em primeira pessoa que mostra a genialidade de Machado de Assis como narrador memorialista,
além da excelente manipulação de informações interditas. Trata-se da história de Nogueira, que relembra um episódio
ocorrido quando tinha 17 anos.
Em tal ocasião, morava na casa de um sujeito que fora casado com uma prima do narrador.
Com a morte desta, o dono da casa contraíra então segundas núpcias com D. Inácia.

O principal da narrativa ocorre na véspera de Natal. Vindo do interior, o protagonista queria conhecer uma missa do galo
na Corte, por isso ficara de noite a esperar, enquanto os demais moradores recolheram-se para dormir (com
exceção do dono da casa, que tinha “ido ao teatro”, um eufemismo para ir para a casa da amante).
Nogueira resolve ficar acordado, para, assim, despertar um seu amigo e irem juntos ao ritual. Enquanto o horário não chegava,
pôs-se a ler um livro, Os Três Mosqueteiros.
Deve-se perceber que o gosto por tal tipo de literatura romântica revela a ingenuidade do protagonista, já percebida em
outros momentos da narrativa.
Mas o fato é que, quase no final do prazo esperado, surge D. Inácia, que passa a ter com o rapaz um colóquio meio que tímido,
meio que desajeitado, já que a conversa parecia apenas motivo para estabelecer contato, não
importando qual fosse o assunto abordado, tanto que os temas comumente se repetiam.
O que Nogueira não percebe em toda a sua inocência é que está sendo seduzido por aquela mulher, que conversa com ele quase
que grudando sua cabeça na dele (com a desculpa de que não queria acordar o resto da casa) e que também
não tem coragem de concluir seus desejos. É nesse aspecto que reside o lado mais bonito do conto. Há um erotismo muito
forte na história e que se manifesta justamente porque não é explícito e por não se concretizar.
Tudo que Nogueira vê é parte dos braços de D. Inácia (consegue até enxergar as veiazinhas deles) e a ponta do chinelo dela.
No fim, o rapaz parte para a celebração e nunca mais aquele clima foi recuperado.
O Alienista
Eis um texto que está entre conto e novela, graças à sua extensão. Vale já pelo sabor de seu humor e ironia.
Mas há que se ver na obra elementos típicos da produção realista de Machado de Assis, principalmente a análise
psicológica e a crítica social.
Já foi dito que o mergulho machadiano na mente de suas personagens, montando um micro-realismo, torna-o cego para
questões sociais.
No entanto, o presente conto é prova de que no nosso grande escritor o que ocorre é a soma desses dois campos.
A personalidade é influenciada por forças sociais; por sua vez, a sociedade é influenciada por razões psicológicas.
Dessa forma, podemos entender a literatura machadiana como expressão de problemas psicossociais.
Dentro desse esquema, pode-se até enxergar uma semelhança entre o autor e o protagonista, Simão Bacamarte, pois, como
alienista , está preocupado em analisar o comportamento dos habitantes da cidade em que está instalado e como a
conduta influencia as relações sociais.
O mais interessante é notar aqui o caráter alegórico, ou seja, representativo que a narrativa assume.
Tudo se passa em Itaguaí, pequena cidade do interior do Rio de Janeiro, durante o período colonial.
Cria-se um clima de “era uma vez, num lugar distante...” Dessa forma, o que se passa nessa localidade é o que no fundo
ocorre em toda nossa civilização.
O protagonista, depois de títulos e feitos conquistados na Europa, estabelece-se em Itaguaí com
a idéia de criar um manicômio, que lhe seria um meio de estudar os limites entre razão e loucura.
No entanto, sua metodologia de estudo é que o diferenciará radicalmente de Machado de Assis.
Em sua frieza analítica, Simão assumirá um tom tão rígido que acabará se tornando caricaturesco, falho e absurdo .
O problema é que o especialista vem investido do apoio oficial de todo o aparelho do Estado, o que faz alguns críticos
enxergarem nessa obra não uma preocupação com a abordagem psicológica, mas uma crítica de alcance político. O conto seria,
portanto, uma forma de questionamento contra o autoritarismo massacrante do sistema.
Os primeiros internados no hospício Casa Verde foram casos notórios e perfeitamente aceitos pela sociedade de Itaguaí.
Mas começa a haver uma seqüência de escolhas que surpreendem os cidadãos da pequena cidade. O primeiro é o Costa, que havia
torrado sua herança em empréstimos que se tornaram fundo perdido. O pior é que se sentia envergonhado de cobrar seus
devedores, passando a ser até maltratado por estes. Depois foi a prima do mão-aberta, que tinha
ido defender seu parente com uma mirabolante história de que a decrepitude financeira se devia a uma maldição .
Após esses, é internado o albardeiro Mateus, que se deliciava em ficar horas admirando o luxo de sua enorme casa, ainda mais
quando notava que estava sendo observado.
Essa personagem serve para que reflitamos questões como a valorização exagerada do status e até mesmo uma análise
do preconceito, pois a maioria da cidade não aceitava um homem de origem e trabalho humilde possuir e ostentar
tanta riqueza.
Apenas esses atos já foram suficientes para deixar a cidade em polvorosa. Assim, todos anseiam pela volta de D. Evarista,
esposa de Simão Bacamarte, que havia ido para o Rio de Janeiro como maneira de compensar a ausência do marido, tão mergulhado
que estava em seus estudos .
Para os cidadãos, ela era a esperança de salvação daquele terror constante e aparentemente arbitrário. Por isso, a maneira
festiva com que foi recebida.
No entanto, em meio a um jantar em homenagem à salvadora senhora, Martim Brito, um jovem dotado de exibicionismo de linguagem,
faz um elogia um tanto exagerado: Deus queria superar a Si mesmo quando da concepção de D. Evarista.
Dias depois, o janota estava internado. Logo após, Gil Bernardes, que adorava cumprimentar todos, até mesmo crianças, de
maneira até espalhafatosa, é confinado. Depois Coelho, que falava tanto a ponto de alguns fugirem de sua presença.
Pasma diante de aparente falta de critério, Itaguaí acaba tornando-se um barril de pólvora prestes a explodir.
Aproveitando-se dessa situação, o barbeiro Porfírio, que há muito queria fazer parte da estrutura de poder, mas sempre
tinha sido rejeito, arma um protesto com intenções revolucionárias .
Depois de ter seu requerimento desprezado pela Câmara de Vereadores, une-se a vários outros descontentes.
Há uma esmorecimento quando se descobre que Simão havia pedido para não receber mais pelos internos da Casa Verde.
Configura-se a idéia de que as inúmeras reclusões não eram movidas por corruptos interesses econômicos.
No entanto, Porfírio consegue fôlego e institui uma insurreição, que recebe até o seu apelido: Revolta dos Canjicas.
Vão até a casa do alienista, mas este os recebe, de sua sacada, de forma equilibrada e sem a mínima disposição em se demover
de sua metodologia científica. A fúria, que tinha sido momentaneamente aplacada pela frieza do oponente, é instigada quando
este lhes dá as costas e volta aos seus estudos.

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Providencialmente, a polícia da época (dragões) surge, com a intenção de sufocar o levante.
O mais espantoso é que, justo nesse momento em que o jogo parecia perdido para Porfírio, tudo
se volta a seu favor: os componentes da guarda, provavelmente enxergando injustiça na ditadura científica, passam para o lado
dos revoltosos. Era tudo o que o líder mais queria – poder absoluto.
Surpreendentemente (ou não), fortalecido, Porfírio esquece a Casa Verde e se dirige para a Câmara dos Vereadores para destituí-la.
Senhor supremo, no dia seguinte encontra-se com o alienista, que já friamente (como de costume) esperava ser demitido.
Impressionantemente, o novo governante afirma que não vai meter-se em questões científicas.
Configura-se aqui uma crítica a tantas revoluções que ocorreram na História e que estão por ocorrer.
Entende-se que elas são na realidade movidas por interesses coletivos autênticos, mas que acabam sendo manipuladas e servindo de
trampolim para que determinadas pessoas subam ao poder por outros motivos, mais egoístas.
Provavelmente todas essas idéias passaram na mente de Simão no momento em
que Porfírio veio expressar-lhe apoio em seu trabalho sanitário. Tanto que
pergunta quantos pessoas haviam
morrido na revolução. São os dois casos que descobre como matéria de estudo.
O primeiro é o fato de gente ter perdido a vida por um levante que tinha a
intenção de derrubar a Casa Verde e agora tudo ficar esquecido. O segundo é
o Porfírio antes se levantar ferozmente
contra Porfírio e agora considerá-lo de extrema utilidade para o seu novo
governo.
O que virá daí já se sabe.
Dias depois, 50 apoiadores da revolução são internados. Porfírio ficou
desnorteado, mais ainda porque um seu opositor, o barbeiro João Pina,
levanta-se contra. Na realidade, este não estava interessado em questões
sociais, mas tinha uma rixa pessoal com o outro barbeiro. Conseqüência: arma
uma balbúrdia tamanha que acaba derrubando o Canjica.
Mas o novo poder não destitui a Casa Verde. Fortalece-a. Mais gente é
confinada. Crispim, assistente e bajulador do alienista, que apóia Porfírio
no momento que pensava que Simão havia caído. Depois o Presidente da Câmara
dos Vereadores. O clímax deu-se quando a própria
esposa do alienista, extremamente preocupada com jóias e vestidos, a ponto
de não conseguir
dormir por não saber como iria numa festa, acaba sendo internada. Ao mesmo
tempo que era a
prova de que Bacamarte não tinha intenções egoístas, pois até a própria
consorte tinha se tornado vítima, tornava também patente a arbitrariedade a
que Itaguaí estava submetida.
Certo tempo depois, como num feito rocambolesco, a cidade recebe a notícia de
que Simão
determinou a soltura de todos os “loucos” da Casa Verde.
Na verdade, o cientista havia notado que 75% dos moradores estavam
confinados.
Estatisticamente, portanto, sua teoria estava errada, merecendo ser refeita.
Esse recuo, além de demonstrar um rigor científico louvável, pois demonstra
que o protagonista
não está preocupado com vaidade, tanto que reconhece que erra, exibe mais
elementos
interessantes para a interpretação do conto. Pode-se dizer que exibe uma
questão polêmica:
quem é normal? O que segue a maioria? Se 75% apresentam desvios de
personalidade, desvios
do padrão (era essa, finalmente revelada, a regra que determinava quem era e
quem não era são), então o normal seria não seguir um padrão. Fora essa
questão polêmica, deve-se perceber a
força que o Estado, por meio da Casa Verde (tanto é que mudavam os
poderosos, mas o sistema continuava o mesmo), assumia em determinar quem
estava na linha e quem não estava.
Todos tinham de se encaixar a uma norma.
Enfim, dentro da nova teoria (louco era quem mantinha regularidade, firmeza
de caráter), o terror recomeça. O vereador Galvão é o primeiro a ser
internado, porque havia protestado contra uma emenda da Câmara que instituía
que somente os vereadores é que não poderiam ser reclusos.
Sua alegação era a de que os edis não podiam legislar em causa própria. A
esposa dedicada de Crispim é também alocada na Casa Verde. O barbeiro fica
louco. Um inimigo de Simão se vê na obrigação de avisar o alienista do risco
de vida que o cientista corria. Por tal desprendimento, na hora acaba sendo
confinado. Até Porfírio, volta a ser preso, pois, conclamado a preparar
outra revolta, recusa-se, pois se tocou que gente havia perdido a vida na
Revolta dos Canjicas para o resultado ser infrutífero. Ao ser preso, resumiu
bem sua situação: preso por ter cão,
preso por não ter cão.
Alguns casos são interessantes. Pessoas que se demonstram firmes em sua
personalidade são consideradas curadas quando exibem algum desvio de
caráter. Assim foi com um advogado de conduta exemplar que só não foi
internado porque havia forçado um testamento a ter a partilha
do jeito que queria. Ou então quando a esposa do Crispim xinga-o ao
descobrir o
verdadeiro caráter do marido.
Porém, fora esses casos, Simão vai percebendo que seu segundo método era
falho, pois ninguém naturalmente tinha uma personalidade reta, perfeita. Com
exceção dele próprio. É por isso que,
após muita reflexão e muita conversa com pessoas notórias da cidade,
principalmente o padre
(que já havia sido internado), conclui que o único anormal era ele próprio.
A despeito dos
protestos de muitos, inclusive de D. Evarista, decide, pois, soltar todos
mais uma vez e
encerrar-se sozinho na Casa Verde para o resto de sua vida.
Um Homem Célebre
A temática básica desse conto é a oposição entre vocação e ambição. Sua personagem principal, Pestana, é um famoso compositor
de polcas, um estilo bastante popular de música.
No entanto, seu grande sonho era produzir música erudita no nível dos grandes
mestres, como Chopin, Mozart, Haydn. Por mais que se esforçasse, só conseguia compor o gênero popular.
Chega até a se casar com
uma cantora lírica tísica, Maria, crendo que, convivendo com ela, finalmente teria a fatídica inspiração. Esforço inútil.
Por fim, ela morre e pensa em compor para ela, já que estava imbuído da dor da perda, um réquiem. Outro fracasso.
Espera conseguir inspiração para a missa de aniversário do falecimento, mas mais uma vez frustra-se. É quando desiste e
dedica-se às polcas. Por fim adoece, não demorando muito para morrer em conseqüência de uma febre. De acordo com o próprio
narrador, teve tempo para
uma última piada. Seu editor vinha pedir uma polca em deferência à subida dos conservadores ao poder.
O compositor disse que a faria e ainda deixaria outra pronta, para quando subissem os liberais. Há uma crítica que ainda é
atual: o mercado está mais interessado em obras de qualidade fácil, que satisfazem de
forma imediata e rasteira o gosto do
público. Sintomático disso é o fato
de o editor já ter títulos prontos para obras que ainda nem existem, aproveitando-se de
fatos do momento, da moda. Além disso, há um conflito interessante entre o efêmero (polca) e o eterno (música erudita), que
pode ser também visto como entre o baixo e o sublime.
O Espelho
Esse é o melhor conto para que se possa entender de maneira mais
direta a “filosofia”
machadiana que sustentaria a tese de que sua análise do
comportamento humano destaca uma abordagem psicossocial: nossa
personalidade é fruto de forças sociais, que por sua vez existem
graças à nossa personalidade. Trata-se da história de Jacobina, um
homem que nunca expunha
suas opiniões para seus amigos porque não queria discutir, um ato
que entendia como uma herança no homem de um caráter bestial.
Mas a narrativa se inicia porque o protagonista havia sido obrigado
a expressar sua opinião
sobre a existência da alma.
Emite, então, uma curiosa teoria sobre a existência não de uma, mas de duas almas, interligadas, a alma interna, que
pode ser entendida como a verdadeira maneira como nos enxergamos, e a
alma externa, que é como os outros nos enxergam.
Sem uma, a outra não existe. E para provar sua teoria, conta uma
história passada em sua
juventude, quando havia recebido o título de alferes. Era apenas um
título e uma farda, mas isso trouxe à personagem uma notoriedade
tamanha. Tanto que sua tia Marcolina pede para que ele passe uns
dias em seu sítio, só para ter a honra de receber em suas terras um
alferes.
E em sua homenagem deixa no quarto dele um móvel cuja parte mais
chamativa era um espelho. Pouco depois da chegada de Jacobina, sua
parenta recebe a notícia da morte eminente da filha
dela, o que a faz partir com demais familiares, deixando o
protagonista só com os escravos, mas estes fogem no dia seguinte.
Jacobina fica quase uma semana na completa solidão, sem ninguém para
elogiar seu cargo e principalmente sua farda.
Chega a uma crise tal que pensa em praticar suicídio. Seu único
momento de alívio era quando dormia e em seus sonhos via as pessoas
elogiarem sua farda.
O clímax da negatividade ocorre quando acidentalmente se olha no
espelho e percebe a sua
imagem muito difusa, pouco nítida. Supera, no entanto, o desespero e
tem uma idéia salvadora:
veste a farda e se coloca diante do espelho.
Espantosamente, sua imagem está nítida. Passa, então, a dedicar uma
determinada hora do dia
para olhar-se no espelho e admirar a sua vestimenta, o que lhe
garante a sobrevivência no final
do período de 14 dias em que ficou sozinho.
Deve-se notar neste conto a análise aguda que Machado de Assis fez
da sociedade, a ponto de
seu alcance tornar-se ainda atual. A simbologia de “O Espelho” nos
indica que, em nosso meio,
a alma externa, ligada ao status, ao prestígio social, é muito mais
importante do que a alma
interna, a nossa real personalidade. Sem essa máscara, praticamente
não sobrevivemos.
A Cartomante
Conto que surpreende pela excelente estrutura narrativa, dividida em
três partes.
Na primeira, introdutória, fica-se sabendo que Rita, dotada de
espírito ingênuo, havia consultado uma cartomante, achando que seu
amante, Camilo, deixara de amá-la, já que não visitava
mais sua casa.
Desfeito o mal-entendido, faz-se um flashback que vai explicar como
se montou tal relação.
Camilo era amigo, desde longínqua data, de Vilela. Tempos depois,
este se casa com Rita.
A amizade estreita a intimidade entre Camilo e Rita, ainda mais
depois da morte da mãe dele.
Quando sente sua atração pela esposa do amigo, tenta evitar, mas, enfim,
cai seduzido.
Até que recebe uma carta anônima, que deixava clara a relativa
notoriedade da sua união
com a esposa do seu amigo.
Temeroso, resolve, pois, evitar contato com a casa de Vilela, o que
deixa Rita preocupada.
Terminada essa recapitulação, vai-se para a parte crucial do conto. Camilo
recebe um bilhete de Vilela apenas com a seguinte mensagem: “Vem já,
já”.
Seu raciocínio lógico já faz desconfiar que o amigo havia descoberto
tudo. Parte de imediato, mas
seu tílburi fica preso no tráfego por causa de um acidente. Nota uma
estranha coincidência: está parado justamente ao lado da casa da
cartomante. Depois de um intenso conflito interior, decide
consultá-la. Seu veredicto é dos mais animadores, prometendo
felicidade no relacionamento
e um futuro maravilhoso. Aliviado, assim como o tráfego, parte para
a casa de Vilela.
Assim que foi recebido, pôde ver, pela porta que lhe é aberta, além
do rosto desfigurado de raiva
de Vilela, o corpo de Rita sobre o sofá. Seria, portanto, a próxima
vítima do marido traído.
Note neste conto sua estrutura em anticlímax, pois tudo nele nos
prepara para um final em que
o misticismo, o mistério imperaria. No entanto, seu final é o mais
realista e lógico, já engendrado
no próprio bojo do conto. Reforça esse aspecto o ritmo da narrativa,
que é lento em sua maioria, contrastando com seu desfecho, por
demais abrupto. E não se esqueça da presença de um quê
de ironia nesse contraste entre corpo da narrativa e o seu final.
Fontes de Referências
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