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Criatividade
Você é artista

Leandro Sarmatz
A criatividade pessoal é um dos segredos da felicidade.
Aprenda a identificá-la em sua vida e
saiba como nunca perdê-la em seu cotidiano

Gente é pra brilhar, Picasso é pra brilhar, Caetano Veloso é pra brilhar,
você é pra brilhar. Manja: não o brilhareco muitas vezes oco de uma suposta celebridade televisiva, nem os 15 minutos daqueles profetizados por Andy Warhol.

O certo é que todo mundo foi feito para alguma coisa.
Não uma missão, como alguns acreditam, carregando no vocabulário
que tanto pode servir à religião quanto aos filmes de Tom Cruise.
Trata-se digamos assim, colocando logo os pingos nos is, de um talento especial, de uma forma diferente de encarar a vida, de umas ênfases colocadas nas coisas que lhe parecem as mais corretas.

Sim, cada um de nós vem ao mundo com um potencial. Uns com mais talento
que os outros, é verdade assim mesmo é a vida, fazer o quê.

Mas isso não quer dizer que, se você não foi batizado na Áustria com o nome
de Wolfgang Amadeus Mozart, você deva se resignar a uma existência opaca,
a uma vidinha besta. Muito antes pelo contrário. É essencial para sua felicidade auscultar o próprio coração e descobrir por que, afinal de contas, você está aqui. E o que você pode fazer para, em seu trabalho, em seus momentos de lazer,
em suas relações pessoais, em sua forma de enxergar o mundo, identificar
esse seu lado que é só seu e usá-lo para ter uma vida muito mais completa,
em todos os sentidos.

A chave disso tudo chama-se criatividade. Ser criativo não é apenas pintar Guernica, escrever o roteiro de um filme ou compor um samba.O vício de considerar que a criatividade só existe nas artes deforma toda a realidade

 humana", tascou Fayga Ostrower, pintora brasileira nascida na Polônia e autora de livros sobre criação artística. Na mosca. Porque é mesmo muito conveniente admirar passivamente as grandes obras da imaginação humana e depois voltar para um cotidiano sem tempero (e ainda por cima reclamando de que se veio ao mundo para ser figurante, não estrela), sem nada no coração e nenhuma idéia na cabeça.
Conveniente é, lógico, mas triste. Porque todo mundo pode mais.

Descobrir o que há dentro de nós não é mel na sopa. A começar pela conceituação da coisa: criatividade. O termo criatividade embananou tanto Sigmund Freud que ele chegou a dizer:
"Diante da criatividade, o psicanalista deve depor as armas". Não é para tanto, doktor Freud.

Um pouquinho mais otimista que o pai da psicanálise foi o psicólogo suíço Jean Piaget, que considerava a criatividade "um presente magnífico à espera de ser pesquisado".

Essa busca pelo "presente magnífico" rendeu pelo menos um livro altamente inspirador nos
últimos tempos, The Tree House ("A casa da árvore",sem edição brasileira), da socióloga
americana Naomi Wolf.
Bastante conhecida desde os anos 1990 por seu livro feminista O Mito da Beleza, Naomi é filha
de um poeta e professor de Literatura, Leonard Wolf, amigo de toda a patota beatnik de São Francisco nos anos 1950 e uma figuraça ainda hoje, com mais de 80 anos nas costas.

Original, deliciosamente excêntrico (não tem celular nem agenda de telefones, entre outras idiossincrasias), Mr.Wolf passou a vida identificando os desejos do coração e acreditando que
todos temos uma espécie de DNA criativo dentro de nós.

 



Há poucos anos, Naomi o convocou para ajudá-la na construção de uma casinha na árvore para
suas filhas. A temporada ao lado do pai se converteu num verdadeiro curso sobre criatividade,
cujos pontos principais inspiraram um bocado esta reportagem, que ainda foi atrás de pessoas
que pensam sobre o tema e outras que conseguem, graças a uma luta diária contra a banalidade, ter uma vida muito mais inspirada. E inspiradora, sem dúvida.

Desperte a imaginação

Não há um chamado dos céus. Não há trombetas. Nem sombra de um anjo anunciador aparecendo diante de um cenário azul-turquesa.
É bem mais simples do que parece: quando nascemos, temos um potencial quase ilimitado de talentos. Crianças, podemos experimentar de tudo, da música à matemática, da invenção de
objetos às histórias fantásticas. Tudo parece original, novinho em folha.
Até os 5 anos, a criança não foi devidamente formada pela cultura, pela visão de mundo de seus pais, dos amiguinhos, da escola etc. "Os produtos criados pelas crianças pequenas são mais graciosos, sugestivos e originais do que os moldados pelas outras um pouco mais velhas",
afirma o psicólogo americano Howard Gardner no livro Mentes Extraordinárias.

Mas a porca torce o rabo a partir dos 7 anos (não por acaso a idade em que grande parte das crianças ingressa na escola). A partir desse momento os destinos dos pequenos ficam cada vez
mais ligados às realidades e opções disponíveis em sua sociedade. Cabe, portanto, aos pais o
papel de não deixar esse fogo ser apagado lentamente.
A regra de ouro é nunca perturbar o mundo em miniatura criado pelos filhos. Dizer "não"o
tempo inteiro é uma ótima forma de gestar um adulto sem viço e imaginação.

O "sim"(com responsabilidade e cuidados, claro) é essencial para o florescimento da imaginação desde os primeiros anos de vida.
É essa abertura para a imaginação (e as traquinagens) da criança que pode determinar se aquela garota que adora sujar as paredes de tinta será uma Frida Kahlo ou uma advogada que é feliz
porque desenha em seu tempo livre.
Não importa a qualidade artística que seu trabalho atinja, mas a autenticidade e o poder
imaginativo que marcarão sua vida.

E por que as crianças são um exemplo para quem deseja redespertar
para o mundo da criatividade?

Porque se, para elas, falta repertório (cultura e conhecimento dos meios formais de produção),
obra intuição. "A base da criatividade é a intuição", afirma o arquiteto e ex-monge budista
Márcio Lupion. Aprender a usar a imaginação, portanto, é reeducar-se para a intuição.
Mas mesclando-a com todas as vivências e culturas que fazem parte da história de cada um.

A grande companheira da imaginação é a cultura. É o que defende Arthur Pereira e Oliveira Filho, diretor do Cesde, um centro transdisciplinar sediado em Petrópolis (RJ) que procura estimular a criatividade através do conhecimento do que de melhor a cultura produziu em seminários para executivos e que, em 1996, criou uma cidade do conhecimento no pequeno município paranaense
de Faxinal do Céu (PR).
Ali,durante um ano e meio, 38 mil professores da rede estadual travaram contato com Mozart, Shakespeare, Platão e outros nomes das artes e ciências. Uma experiência transformadora.

Quando voltavam para as salas de aula, eram professores mais criativos, mais abertos para estimular a produção de conhecimento. " Não dá para ser criativo sem ter acesso às artes",
afirma Arthur.


Saia da "casinha"

Quando ficamos adultos, tudo parece ter sido feito para obedecer a um padrão. Se você é mais jovem, deve incorporar o papel de filho, de aluno, de novato. Mais velho, quase sempre terá
que desempenhar o papel de pai. E o de funcionário, de vizinho, e assim por diante.
Isso é natural. É da vida.
Mas há um grande perigo a rondar tudo isso: o risco do clichê. Conformar-se aos padrões pré-estabelecidos é uma forma de podar a criatividade. Se você estiver fazendo ou percebendo algo muito familiar ou mesmo batido, repense sua situação.
O feijão-com-arroz é uma delícia, mas é importante variar a dieta.

É importante não se conformar às expectativas. Se seu pai é médico, ou jornalista, ou técnico
em informática, você não precisa necessariamente seguir a mesma carreira. Ouça, sempre, a voz dentro de você: ela é sua.
Então,você percebeu que é diferente (ainda bem!)? Transforme essa diferença em vantagem.
Alguns psicólogos chamam isso de "assincronia produtiva".
Agarre essa diferença com entusiasmo e alegria, tenha consciência dela e invista no que de
melhor, e com mais gosto, você sabe e pode fazer. A história é sua.
Ninguém além de você pode escrever sua narrativa por você.

Isso vale para tudo na vida. Até mesmo o autor desta reportagem tem uma história sobre
assincronia produtiva para contar. Na escola, era um verdadeiro desastre em matemática.
Não só um desastre: uma hecatombe. Porém, modestamente, fazia bonito em disciplinas como português e literatura. Durante muito tempo ele acreditou que não tinha futuro. Até se dar conta, graças a alguns professores fundamentais, que ele podia ser meia-boca com números,
ele tinha essa "permissão". Mas que devia se esmerar cada vez mais naquilo em que ele demonstrava alguma habilidade.
E foi assim que o autor desta reportagem aprendeu a não querer se enquadrar no padrão do
aluno-modelo e foi feliz da vida curtir a poesia de Drummond, a prosa de Machado, o teatro de Nelson Rodrigues. E logo passou a cometer seus poeminhas e textinhos. Pois é.

Encontre sua voz

O clichê e os padrões parecem ter outro papel daninho: são como uma proteção emocional
contra a chegada dessa forasteira, a verdade interior. Porque ela muitas vezes desestrutura
padrões estabelecidos. E o paradoxo: mesmo quando alguém consegue imprimir
sua marca pessoal em alguma atividade, acaba correndo o risco de se reacomodar,
seja por causa do sucesso, do dinheiro, do status ou do tapinha nas costas.
Mas quem realmente cria algo, para si ou para os outros, está mais interessado na fruição daquele momento de inventividade.

Pois o que está em conta é o processo ­ o caminho percorrido sempre, dia após dia, sem a preocupação exclusiva com a "chegada" (de novo: o dinheiro, o sucesso e outras mumunhas).

Os japoneses falam no kaizen, o esforço para melhorar um pouco a cada dia. É disso mesmo
que se trata. (Claro que alguém teve a brilhante idéia de transformar o próprio kaizen em um conceito "vendável": no pós - guerra, indústrias japonesas como a Toyota implantaram esse
princípio à sua linha de produção. Encheram os tubos. Mas isso é outra história.)

"Quando pinto, não sei o que estou fazendo", teria declarado certa vez o artista-plástico
americano Jackson Pollock (1912-1956).
Daí que encontrar essa voz não significa embarcar em uma egotrip descabelada.
"O processo criativo é uma espécie de iluminação: a individualidade, o ego, são anulados
enquanto alguém está criando", afirma o arquiteto Márcio Lupion.
Isso não quer dizer que aquele que cria tem que se manter impassível,
sem envolvimento emocional.
Mas o que está em jogo é um certo distanciamento das preocupações mais comezinhas ou
utilitárias a favor dessa hora da verdade que é o momento da criação.
"É preciso transitar entre pólos objetivos e subjetivos", explica o artista-plástico Charles Watson, britânico radicado há décadas no Rio de Janeiro, professor de processos criativos em faculdades
e cursos especiais.
Isso quer dizer que o processo criativo é algo global, envolve toda a personalidade e as maneiras
que cada um de nós tem para se diferenciar e se relacionar com os outros.
"Criar é tanto estruturar-se quanto comunicar- se, é integrar significados e é transmiti-los",
escreve Fayga Ostrower.

Tenha sempre paixão

É quase um 11º mandamento: a responsabilidade de manter a paixão é nossa. Em todos os
aspectos da vida.
Num relacionamento amoroso, cada dia é a oportunidade de cortejar novamente o parceiro,
de se mostrar apaixonado, de renovar essa relação. São coisas simples,mas muito significativas, como deixar um bilhete fofo na porta da geladeira, trazer do mercado aquela geléia predileta do
seu parceiro, abordar quem você gosta de maneira inesperada, como um beijo dado de surpresa.

Tudo isso tem a ver com a forma de olhar o mundo e de se relacionar com as coisas boas desta
vida, como saber curtir uma refeição legal, uma música significativa, um poema especial.

O consultor de empresas Igor Holovko sabe disso tudo. Quando era diretor de recursos humanos
de uma grande rede de supermercados em São Paulo, Igor, que chegou a aprender rudimentos de japonês para cantar uma de suas canções prediletas, insuflou o espírito artístico entre os funcionários da rede. Cantavam, desenvolviam suas potencialidades e, de quebra,
atendiam melhor os clientes.

Em sua vida particular, o consultor também demonstra os poderes de viver em permanente
estado de paixão em tudo. Casado há 27 anos, pai de dois filhos, costuma viajar com a mulher
"para namorar". Quando fizeram bodas de prata, repetiram a cerimônia de casamento no
Mosteiro de São Bento, no Centro de São Paulo. Cantoria, boa comida, vinho, amigos e parentes reunidos. E Igor (terceiro lugar em um concurso de canto à Elvis Presley) entoou uma música a capela, diante de todos.

Autor de dois livros de poemas, Igor gosta de surpreender a mulher com um bilhete mais poético,
um gesto inesperado, uma atenção especial. E isso tem que ser construído todos os dias.
"Ouvir o coração é difícil", afirma.

Não desperdice seu dom

Inspiração? Existe. Aquele soprinho de idéia que surge no chuveiro, aquela sacada na mesa do boteco, depois de umas tantas cervejas, o palpite que aparece assim de repente no meio de um pensamento qualquer. Mas é preciso arregaçar as mangas, senão a idéia desaparece assim
como veio, rapidinho.
No livro de Naomi Wolf há uma espécie de receituário de Leonard: "Não espere pela inspiração, mas sente-se calmamente e comece; enquanto você estiver no trabalho, nem pense em falar, inclusive para você mesmo, sobre bloqueio criativo; use sua imaginação e continue trabalhando.
Eis o seu rascunho. O primeiro será terrível; não desanime, continue trabalhando.
Corte tudo o que não soar como saído de você ou aquilo que você não fez
ardentemente ou que não seja verdadeiro. Se você tomou um caminho errado, volte; isso faz parte do processo.
Então edite, edite, edite. Finalmente, saiba para onde você está indo."

Muita gente tem o pânico da página em branco (ou da tela em branco, ou da agenda em branco) porque justamente é a hora do vamos ver, o momento em que os sonhos, as ilusões, os palpites
têm que ser desenvolvidos. Isso exige certa disciplina.
Quanta gente tem o romance de sua geração todinho na cabeça, mas não move uma palha para começar a escrevê-lo. Assim não vale. O melhor é começar, sem pensar se o romance será
vendido para o cinema ou arrancará elogios do crítico mais carrancudo do pedaço.
Apenas escreva. Tente.Um dia sai. Pode não ser um Grande Sertão: Veredas, mas certamente
trará muito mais satisfação pessoal do que apenas ficar esperando o momento certo
para passar à prática.

Movida por essa disciplina, a empregada doméstica Miraildes Francisca dos Santos leva, por
assim dizer ­ uma vida dupla. Trabalha em casa de família em São Paulo desde que veio de
Floresta Azul, interiorzão da Bahia, aos 16 anos.
Conseguiu terminar o curso médio, se interessa por língua portuguesa, vê pouquíssima TV,
lê pacas e compõe letras de música. Tem 80 delas já devidamente registradas na Funarte.
São músicas de todos os gêneros mais populares, como axé e gospel. Anda sempre com um caderninho a tiracolo.

Claro que Miraildes (ou Miriam Francis, o nome artístico com que gravou a canção "Esse Neguinho" em um CD de divulgação de sua obra) sonha em ocupar as principais posições nas paradas de sucesso. Isso é normal. Ela é humana.
Mas isso, para ela, é mais um sonho entre tantos. O que ocupa mesmo sua cabeça no dia-a-dia
é a atividade literária: as letras de música, os poemas, as anotações tomadas nos cadernos.
"Quanto mais eu leio e escrevo, mais tenho inspiração", afirma.

O erro faz parte

Sempre há uma hora meio desanimada, em que nada parece dar certo. A solução para isso, mais
uma vez, está nas crianças. Mais especificamente na capacidade lúdica delas.
Encarar o trabalho, as atividades diárias, as obrigações de forma divertida pode ser um
antídoto para o desalento que sobrevém de algum deslize. O espírito do jogo liberta.
"O reino da liberdade começa apenas quando o ponto em que o trabalho, sob a compulsão da necessidade e da utilidade externa, é ultrapassado", anotou Karl Marx.

Inspirados nessa frase, sociólogos como o americano Bob Black reivindicam o poder infantil para abolir a escravidão da seriedade, que mutila a criatividade dos adultos. "Precisamos das crianças como professoras, não como alunas. Elas têm muito a contribuir para a revolução lúdica porque sabem brincar melhor do que os adultos. Adultos e crianças não são idênticos, mas vão se tornar iguais por meio da interdependência. Somente a brincadeira pode acabar com o conflito de gerações", escreve.

Jogo e criatividade são palavras bem conhecidas pelo médico fluminense Lúcio Abbondati Jr. Interessado nos efeitos da criatividade e dos jogos sobre o bem-estar de muitas pessoas que o procuravam no consultório, Lúcio fundou, em 1989, o centro "Além da imaginação", instituição transdisciplinar sediada em Niterói. Ali, durante os sete dias da semana, crianças, adultos e idosos travavam contato com manifestações tão díspares quanto música, histórias em quadrinhos, RPG
e literatura. Com essa experiência, Lúcio passou a ministrar palestras e cursos sobre jogo e criatividade. "A falta de espírito lúdico mata a originalidade.
Mas o adulto que joga cria", afirma o médico.

O jogo é essencial porque nos adestra para a tentativa e o erro. Reservar um espaço na vida atribulada de hoje para brincar e, eventualmente, errar não é tarefa das mais amenas.
Lúcio Abbondati costuma receitar aos seus pacientes, grande parte deles gente ocupada, que marquem na agenda um encontro semanal com "Dr. Carvalho" ­ nome-fantasia para o
compromisso inadiável consigo mesmo: uma hora para ler um livro despreocupadamente, para
jogar uma partida de dominó com os filhos, para fazer uma atividade manual. "A criatividade motivada por atividades lúdicas libera endorfina, trazendo bem-estar", assegura o médico.

Siga em frente

O escritor argentino Jorge Luis Borges dizia que publicava seus livros para não ter que ficar a
vida inteira revisando-os. Um texto, uma atividade artística, até mesmo aquele prato que só
você sabe fazer na verdade nunca termina, apenas é abandonado.
Há uma hora em que é preciso saber guardar as ferramentas. Até para não dormir nos louros e
se estagnar. Reinventar-se a cada nova atividade é essencial.

Charles Watson costuma resumir em três pontos as qualidades para criar:
1 - conservadorismo (no sentido de conhecer aquilo que veio antes, a tradição);
2 - ousadia (certo espírito aventureiro, de desbravador);
3 - disposição.
Sem esses três pilares, não adiantam a imaginação, a paixão, a voz, a disciplina e o lúdico:
tradição e ousadia, vontade e disposição coabitam a mesma casa.
Olhar para a frente, encarando novos desafios (embora valorizando os ganhos anteriores),
é muito importante para manter-se sempre aberto à criatividade.

Quem leu Quase-Memória, o delicioso romance de Carlos Heitor Cony, sabe do que se está falando. No romance (publicado em meados da década de 1990, depois de um jejum literário de 20 anos, justificado pelo autor, olha só, devido à ausência de ter o que falar), Cony evoca a figura de
seu pai, o jornalista Ernesto Cony Filho, um tipo falastrão que gostava de bolar histórias, era inventivo o suficiente para comprar resmas de papel para construir balões, criava galinhas,
produzia perfumes. Inquieto, quebrou a cara muitas vezes. Mas, depreende-se do relato do filho, podia ser considerado um homem feliz. "Amanhã farei grandes coisas", costumava dizer à noite.
Uma promessa que vale para cada um de nós. Sempre.

Os mandamentos da criatividade

Afinidade: Reserve um momento do dia só para você fazer algo de que realmente goste.

Jogo: Mantenha um clima lúdico em suas relações pessoais e,se possível, em
sua rotina diária.

Infância: Não sobrecarregue a criança com uma agenda digna de gente grande.

Desenvolvimento: Nunca pare de buscar informação: leia livros e revistas, acesse a internet.

Cultura: Viva as artes: vá ao cinema e ao teatro, passe a freqüentar exposições.

Liberdade:Procure ser espontâneo: a liberdade criativa começa em sua maneira
de encarar a vida.

Inocência:Lembre-se de como você era quando criança: recupere um pouco aquele espírito.

Empatia:Aprenda a olhar para si e para os outros: o afeto nutre a criatividade.

Amor:Nunca deixe de cultivar seus verdadeiros gostos e paixões: eles vão alimentá-lo sempre.

Ação:Sonhar é importante. Projetar o futuro é essencial. Mas fazer é muito mais.


Para saber mais

LIVROS
. Criatividade e Processo de Criação, Fayga Ostrower, Vozes
. O Código do Ser, James Hillman, Objetiva
. Mentes Extraordinárias, Howard Gardner, Rocco
. A Banheira de Arquimedes, David Perkins, Ediouro
. Groucho-Marxismo, Bob Black, Conrad
. The Tree House, Naomi Wolf, Simon & Schuster

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Extraído de VIDA SIMPLES  -  Abril Editora  -  Junho 2006