Introdução:
Apresentamos um texto contendo dez princípios para atividade docente
de um bom professor do terceiro milênio, século marcado pela
informação
e pelo conhecimento tecnológico.
O professor do século XXI é aquele que, além da competência, habilidade interpessoal, equilíbrio emocional, tem a consciência de que
mais importante
do que o desenvolvimento cognitivo é o desenvolvimento humano e que o respeito às diferenças está acima de toda
pedagogia..
A função do bom professor do século XXI não é apenas a de ensinar, mas de levar seus alunos ao reino da contemplação do saber.
Dez princípios:
Eis então os dez passos na direção de uma pedagogia do desenvolvimento humano:
1º - Aprimorar o educando como pessoa humana - A nossa grande tarefa como professor ou educador não é a de instruir, mas a de educar
nosso aluno como pessoa humana, como pessoa que vai trabalhar no mundo tecnológico, mas povoado de corações, de dores, incertezas e
inquietações humanas.
A escola não pode se limitar a educar pelo conhecimento destituído da compreensão do homem real, de carne e osso, de corpo e alma.
De nada adianta o conhecimento bem ministrado em sala de aula, se fora da escola, o aluno se torna um homem brutalizado, desumano e
patrocinador da barbárie.
Educamos pela vida como perspectiva de favorecer a felicidade e a paz entre os homens.
2º - Preparar o educando para o exercício da cidadania - Se de
um lado, primordialmente, devemos ter como grande finalidade do nosso magistério o ministério de fazer o bem às pessoas, fazer o bem
é preparar nosso para o exercício exemplar e pleno da cidadania.
O cidadão não começa quando os pais registram seus filhos no cartório nem quando os filhos, aos dezoito anos, tiram suas carteira de
identidade civil, a cidadania começa na escola, desde os primeiros anos da educação infantil e se estende à educação superior, nas
universidades; começa com o fim do medo de perguntar, de inquirir o professor, de cogitar outras possibilidades do fazer, enfim,
quando o aluno aprende a fazer fazer, a construir espaço de sua utopia e criar um clima de paz e bem-estar social, política e
econômico no meio social.
3º - Construir uma escola democrática - A gestão democrática é a palavra de ordem na administração das escolas. Os educadores que
atuarão no novo milênio devem ter na gestão democrática um princípio em que não arredam pé, não abrem mão.
Quanto mais a escola for democrática, mais transparente. Quanto mais a escola é democrática, menos erra, tem mais acerto e
possibilidade de atender com eqüidade as demandas sociais.
Quanto mais exercitamos a gestão democrática nas escolas, mais no preparamos para a gestão da sociedade política e civil organizada.
Aqui, pois, reside uma possibilidade concreta: chegar à universidade e concluir um curso de
educação superior e estar preparado para
tarefas de gestão na governo do Estado, nas prefeituras municipais e nos órgãos governamentais.
Quem exercita a democracia em pequenas unidades escolares, constrói um espaço próprio e competente para assumir responsabilidades
maiores na estrutura do Estado. Portanto, quem
chega à universidade não deve nunca descartar a possibilidade de inserção no meio
político
e poder exercitar a melhor política do mundo, a democracia.
4º - Qualificar o educando para progredir no mundo do trabalho -
Por mais que a escola qualifique seus recursos humanos, por mais que adquira o melhor do mundo tecnológico, por mais que
atualize suas ações pedagógicas, era sempre estará marcando passo frente às novas transformações cibernéticas, mas a escola, através
de seus professores, poderá qualificar o educando para aprender a progredir no mundo do trabalho, o que equivale a dizer a oferecer
instrumentos para dar respostas, não acabadas ( porque a vida é processo inacabado) às novas demandas sociais, sem medo de perdas,
sem medo de mudar, sem medo de se qualificar, sem medo do novo, principalmente o novo que vem nas novas ocupações e
empregabilidade.
5º - Fortalecer a solidariedade humana - É papel da escola
favorecer a solidariedade, mas não a solidariedade de ocasião, que nasce de uma catástrofe, mas do laço recíproco e cotidiano
e de amor entre as pessoas. A solidariedade que cabe à escola ensinar é a solidariedade que
não nasce apenas das perdas
materiais, mas que chega como adesão às causas maiores da
vida, principalmente às referentes à existência humana.
Enfim, é na solidariedade que a escola pode desenvolver, no aluno-cidadão, o sentido de sua adesão às causas do ser e apego à vida
de todos os seres vivos, aos interesses da
coletividade e às responsabilidades de uma sociedade a todo instante transformada
e
desafiada pela modernidade.
6º - Fortalecer a tolerância recíproca - Um dos mais importantes
princípios de quem ensina
e trabalha com crianças, jovens e adultos é o da tolerância, sem o qual todo magistério
perde o
sentido de ministério, de adesão aos processos de formação do educando.
A tolerância começa na aceitação, sem reserva, das diferenças humanas, expressas na cor, no
cheiro, no falar e no jeito de ser de cada
educando.
Só a tolerância é capaz de fazer o educador admitir modos de pensar, de agir e de sentir que diferente dos de um indivíduo ou de
grupos determinados, políticos ou religiosos.
7º - Zelar pela aprendizagem dos alunos - Muitos de nós professores, principalmente os do magistério da educação escolar, acreditam
que o importante, em sala de aula, é o instruir bem,
o
que pode ser traduzido, ter domínio de conhecimento da matéria que ministra aula.
No entanto, o domínio de conhecimento não deve estar dissociado da capacidade de ensinar,
de fazer aprender. De que adiante e
conhecimento e não saber, de forma autônoma e
crítica, aplicar as informações?
O conhecimento não se faz apenas com metalinguagem, com conceitos a, b ou c, e sim, com didática, com pedagogia do desenvolvimento
do ser humano, sua mediação fundamental.
O zelo pela aprendizagem passa pela recuperação daqueles que têm dificuldade de assimilar informações, sejam por limitações pessoais
ou sociais. Daí, a necessidade de uma educação dialógica, marcada pela troca de idéias e opiniões, de uma conversa colaborativa em que
não se cogita o insucesso do aluno.
Se o aluno fracassa, a escola também fracassou. A escola deve riscar do dicionário a palavra FRACASSO.
Quando o aluno sofre com o insucesso, também fracassa o professor. A ordem,
pois, é fazer sempre progredir, dedicar-se mais do que
as horas oficialmente destinadas ao
trabalho e reconhecer que nosso magistério é missão, às vezes árdua, mas prazerosa, às
vezes
sem recompensa financeira condigna que merecemos, mas que pouco a pouco vamos construindo a consciência na sociedade,
principalmente a política, de que a educação, se
não é panacéia, é o caminho mais seguro para reverter as situações mais inquietantes
e vexatórias da vida social.
8º- Colaborar com a articulação da escola com a família - O
professor do novo milênio deve ter em mente que o profissional de ensino não é mais pedestal, dono da verdade, representante
de
todos os saberes, capaz de dar respostas para tudo. Articular-se com as famílias é a primeira missão dos docentes, inclusive para
contornar situações desafiadoras em sala de aula.
Quanto mais conhecemos a família dos nossos alunos, mais os entendemos e mais os amamos.
Uma criança amada é disciplinada. Os pais, são, portanto, coadjuvantes do processo ensino-aprendizagem, sem os quais nossa ensinança
fica coxa, não vai adiante, não educa.
A sala de aula não é sala-de-estar do nosso lar, mas nada impede que os pais possam ajudar
nos desafios da pedagogia dos docentes nem
inoportuno é que os professores se aproximam
dos lares para conhecerem de perto a realidade dos alunos e possam juntos, pais e
professores,
fazer a aliança de uma pedagogia de conhecimento mútuo, compartilhado e mais solidário.
9º - Participar ativamente da proposta pedagógica da escola - A proposta pedagógica não deve ser exclusividade dos diretores da
escola. Cabe ao professor participar do processo de elaboração da proposta pedagógica da escola até mesmo para definir de forma clara
os grandes objetivos da escola para seus educandos.
Um professor que não participa, se trumbica, se perde na solidão de suas aulas e não tem como pensar-se como ser participante de um
processo maior, holístico e globalizado. O mundo globalizado para o professor começa por sentir-se parte no seu chão das decisões da
escola, da sua organização administrativa e pedagógica.
10º - Respeitar as diferenças - Se de um lado, devemos levantar a bandeira da tolerância, como um dos princípios do ensino, o
respeito às diferenças conjuga-se com esse princípio, de
modo a favorecer a unidade na diversidade, a semelhança na dessemelhança.
Decerto, o respeito às diferenças de linguagem, às variedades lingüísticas e culturais,
é a grande tarefa dos educadores do novo
milênio.
O respeito às diferenças não tem sido uma prática no nosso cotidiano, mas, depois de cinco séculos de civilização tropical,
descobrimos que a igualdade passa pelo respeito às diferenças ideológicas, às concepções plurais de vida, de pedagogia, às formas de
agir e de ser feliz dos gêneros humanos.
O educador, pois, deve ter a preocupação é reeducar-se de forma contínua uma vez que nossa sociedade ainda traz no seu tecido social
as teorias da homogeneidade para as realizações humanas, teoria que, depois de 500 anos, conseguiu apenas reforçar as desigualdades
sociais.
Nossa missão, é dizer que podemos amar, viver e ser felizes com as diferenças, pois, nelas, encontraremos nossas semelhanças
históricas e ancestrais: é, dessa maneira, a nossa forma de dizer ao mundo que as diferenças nunca diminuem, e sim, somam
valores e multiplicam os gestos de fraternidade e paz entre os homens.
Uma reflexão:
Pela manhã, o bom religioso, abre o livro sagrado e reflete sobre o bem e o mal.
Por um feliz amanhã, o bom professor abre a LDB e aprende a conciliar o conhecimento e a humanidade.
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