Hoje amigos leitores, tenho o prazer de presenteá-los com um relato da educadora Maria José Vidigal. Relato este que surgiu de
uma conversa gostosa e informal sobre o porquê de muitas vezes a mídia mostrar a escola particular de forma distorcida. Relato
este tão bem elaborado que por si só virou o artigo:
O importante papel da Escola Particular Por Maria José Vidigal
Escola Particular, Escola da Livre Iniciativa - sob esta denominação, temos no nosso país instituições as mais diversas,
variando desde a pequena escola de Educação Infantil, até as grandes instituições com milhares de alunos.
Pioneiras na missão de educar, as escolas particulares começaram ainda no tempo do Brasil Colônia, com as "escolas de ler e
escrever" dos padres jesuítas e, através das várias etapas da nossa história, contribuíram para a formação do povo brasileiro, de
suas lideranças políticas e sociais, buscando sempre a excelência pedagógica.
A criatividade e a constante inovação do ensino particular influíram decisivamente na melhoria do ensino e da educação em
nosso país.
Apesar de mal interpretada e muitas vezes criticada e desconsiderada, a escola particular tem a sua existência garantida pela
constituição brasileira, que, no capítulo da educação, prevê a liberdade de aprender e ensinar, bem como "o pluralismo de
idéias e concepções pedagógicas e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino." Esta é uma importante
contribuição das escolas particulares para a democracia brasileira, proporcionando uma grande variedade de opções pedagógicas
e evitando a escola pública como única alternativa.
Por exemplo, no I.E.V., ao realizar a seleção de professoras, usávamos um teste de complementação de sentenças e um dos itens
era: "Algum dia, eu...." Muitas candidatas costumavam completar a sentença assim: "Algum dia eu terei a minha escola". E não
era o desejo de lucro que lhes passava pela cabeça.
Na entrevista, relatavam que tinham vontade de poder aplicar com liberdade suas idéias sobre educação. Queriam ter uma escola
"onde às crianças fossem felizes".
É isso que tenho observado na minha freqüente e longa convivência com proprietárias de estabelecimentos de educação infantil.
Observo que muitas delas tiveram sua formação profissional em escolas normais e cursos de educação, cheias de ideal, dinâmicas
e empreendedoras, querendo colocar em prática suas idéias pedagógicas, criando escolas com poucos recursos, fazendo
verdadeiros milagres na multiplicação de benefícios.
Algumas, a princípio, bem pouco conscientes de sua condição de empresárias. Por isso mesmo, muitas fecharam as portas, não
resistindo à dura realidade das muitas obrigações e da completa falta de incentivos por parte dos governos.
Bravas empreendedoras das escolas de educação infantil! Sem elas, nosso estado não teria tido, como vem tendo há longos anos,
a oferta de uma educação infantil de qualidade.
É verdade também que nem sempre é este ideal que move os proprietários dos estabelecimentos de ensino.
Há escolas que são dirigidas por pessoas sem a necessária habilitação e que decidem abrir uma instituição de ensino por
julgarem que nesse segmento há grande possibilidade de lucro, desconhecendo os demais aspectos e as obrigações.
Em geral, são estabelecimentos que não cumprem as exigências legais e prestam maus serviços não só à sua clientela, como também
à imagem da escola particular.
Esses abusos continuam acontecendo e dificultando a vida das escolas sérias e bem estruturadas.
As estatísticas mostram que, enquanto diminui o índice de natalidade, aumenta muito a oferta de escolas particulares, acirrando
a concorrência e levando o valor das mensalidades a níveis incompatíveis com uma boa prestação de serviços.
Em todos os segmentos de ensino, há grande diversidade de situações, conforme previsto na Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional.
Existem as escolas particulares em sentido estrito, mantidas por pessoas físicas ou jurídicas de direito privado. Há as
comunitárias, as confessionais e as filantrópicas, cada uma com uma realidade diferente, com mais ou com menos incentivos.
Na Educação Infantil oferecida em Belo Horizonte, há uma grande predominância de escolas particulares, muitas delas
comunitárias e/ou conveniadas com a prefeitura municipal, atendendo a uma clientela de baixo poder aquisitivo.
Em todas elas, a preocupação com a qualidade é fundamental e questão de sobrevivência: na escola particular, os mecanismos de
retorno da comunidade são muito eficientes: há sempre conseqüências para o que se faz: paga-se pelos acertos e pelos erros.
A inovação é também uma característica da escola particular e há sempre experiências significativas nas escolas. Mas acredito
que ainda somos conservadores e muitas vezes deixamos de usar as alternativas que a lei nos faculta.
Estatisticamente, a escola particular já teve maior importância no contexto brasileiro. Hoje, com exceção do segmento de ensino
superior, é muito grande o número de escolas públicas, mas a escola particular continua seu importante papel, cheia de desafios
e também de muitas esperanças, dando sua contribuição para a educação nacional e exibindo exemplos de educadores que dedicaram
toda a sua vida à nobre missão de preparar as novas gerações.
Depois desde belo relato da professora Maria José Vidigal, pouco tenho a acrescentar, a não ser: é à hora das escolas
particulares serias e comprometidas com uma educação efetiva e significativa, se unirem em um movimento de força para vencer
a concorrência desleal e ao mesmo tempo conseguir maiores incentivos do governo, para que mais e mais alunos possam ter
acesso a uma boa escola.
Escola Particular ou Escola Pública, estamos todos juntos na luta pela educação de qualidade!
Thereza Bordoni
LEIA TAMBÉM...
A Igualdade de Acesso a Escola
A Avaliação como Fábrica de Fracasso Escolar
A proposta de cotas para negros no ensino superior
Como chegar a universidade sem passar no vestibular
A Gratuidade do Ensino Publico
O Igualitarismo acabou


Procure na BUSCA pelo autor ou pelo título. Se tiver dúvida insira apenas parte do
título ou autor |
|

Fique atento ao valor do frete. Adquira mais livros. Até 1 kilo, o preço do frete tem o mesmo valor |
Maria José Vidigal psicóloga pela UFMG, diretora-fundadora do Colégio Efigênia Vidigal, Vice-diretora de Assuntos Educacionais
do SINEP/MG. Autora principal do artigo.
Thereza Bordoni
doutoranda, Mestre e Pesquisadora em Educação. Palestrante e Articulista. Consultora Educacional e Diretora da A&B
Consultoria e Desenvolvimentowww.aebcd.com.br
e do site www.vaganaescola.com.br
Contato: tbordoni@vaganaescola.com.br (31)91849405. |
|