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O mundo que ingressou no século XX era dominado pela Europa. Países como a Grã-Bretanha, França, Alemanha e Bélgica haviam
liderado a Revolução Industrial e colhiam seus frutos.
No século XIX, haviam consolidado seu domínio em relações comerciais, nada éticas, com
a América Latina, África e Ásia,
importando dessas regiões, matérias primas e exportando produtos industrializados,
além de ofertar a juros altos, capitais excedentes disponíveis nos cofres dos seus grandes conglomerados industriais e
financeiros.
Dois países, não pertencente ao bloco europeu, também se firmavam como potências nesse processo desenvolvimentista. Na América,
depois de consolidarem sua unificação e derrotarem a Espanha em 1898, numa guerra em que conquistaram Cuba e Filipinas, os Estados
Unidos, começaram a substituir o britânicos e alemães como grandes exportadores de produtos e capitais;
O Japão, derrotando a China em 1895, lançava olhares gulosos para a Coréia e sonhava com a hegemonia na Ásia.
Na labuta desenvolvimentista, um continente inteiro, a África, havia sido dividido pelas potências
européias, no Congresso de Berlim (1884-1885), sem
consulta aos africanos. Eles e seus territórios seriam dissecados, explorados, espoliados visando fornecer matérias primas e outros
benefícios á insaciável economia européia.
Os fundamentos teóricos e ideológicos desse crescimento, era o liberalismo. Quer dizer, liberdade de comércio a qualquer preço.
Mesmo que isso significasse invadir países, depor governos, submeter populações, destruir economias e culturas inteiras. Essa
liberdade de comércio tendia a beneficiar a quem produzia a custos menores, os produtos manufaturados.
Juntos com os produtos, iam também os imigrantes, em geral, camponeses que haviam perdido suas terras com a chegada das máquinas
agrícolas nas zonas rurais da Alemanha, Itália, Polônia e Irlanda ou multidões tocadas por perseguições religiosas, como os judeus
da Europa oriental.
Outro fator que criava e agravava o problema populacional era a melhoria no campo da ciência que elevava a expectativa de vida da
população, bem como, diminuía o número de mortes de recém-nascidos. Somente entre 1900 e 1910, os Estados Unidos receberam 9 milhões
de imigrantes. Muitos outros se dirigiram ao Canadá, Austrália, Argentina, Brasil, países em que a mão-de-obra rural era escassa.
Note-se a contradição no caso brasileiro, com o governo incentivando a imigração européia e japonesa apesar da multidão de
ex-escravos negros disponíveis para o trabalho livre.
O sucesso econômico da Europa influenciava e refletia na esfera cultural. comerciantes e
empresários enriquecidos no Rio de Janeiro
e São Paulo enviavam seus filhos para estudar na França, ou na pior das hipóteses, em Portugal. As mocinhas, treinadas para arranjar
maridos ricos, aprendiam a falar francês e demonstrar seus dotes ao piano tocando obras de Debussy e Bach.
Não faltavam as disputas. Alemanha e Itália que haviam obtido a unidade nacional na segunda metade do século XIX, chegaram tarde á
divisão do mundo e sentiam-se injustiçados. A vitória germânica sobre a França, na guerra de 1870, fizera fomentar nos outros países
um grande medo da pujança econômica alemã, bem como, despertava uma certa preocupação e hostilidade da Inglaterra.
A Alemanha tinha 60 milhões de habitantes em 1900, contra 40 milhões na França. Britânicos, franceses e russos viraram o século
discutindo uma aliança para deter a Alemanha. Em duas ocasiões (1905 - 1911), a Europa quase foi a guerra, em meio a uma disputa
de franceses e alemães sobre o controle do Marrocos. A península Balcânica era um terreno fértil para a briga entre as potências
européias, em busca de mais espaço, mercados consumidores e fontes de matérias-primas baratas. Na segunda década do século XX, a
tentativa de uma ex-província turca de população eslava, a Sérvia (que tinha apoio da Rússia), de unificar todos os eslavos sob
seu comando, deu origem a duas Guerras Balcânicas (1912-1913) que acabou por expulsar definitivamente os Turcos Otomanos da região e
despertando, mais ainda, a cobiça dos grandes Estados europeus.
Apesar de todas esses conflitos e tensões, havia, por parte dos grandes líderes das grandes potências, interesse em evitar uma
guerra total. Disputas quentes, como a que envolveu a Grã-Bretanha e a Alemanha em 1910, pela construção de uma ferrovia ligando
Berlim á Bagdá, acabou em algum tipo de acordo.
Negociava-se tudo. Até a Primeira Guerra Mundial.
A Batalha Total: 1914
Ora bolas! Se nenhum governo da poderosa Europa queria uma guerra de grandes proporções, porque ela então explodiu?
Há várias explicações. Eu gostaria apenas de citar algumas para a sua reflexão:
1. A disputa pelo comando da economia mundial levara a um intenso rearmamento. quase todos os países do continente adotaram
o serviço militar obrigatório (antes era opcional e remunerado) nas décadas finais do século XIX:
2. A industrialização chegara também ás forças armadas. Exércitos como o da Alemanha e França entravam na década de 1900
equipados sobre fortalezas e barcos de guerra;
3. Embora os líderes políticos não desejassem a guerra total, as primeiras décadas do século foram de intensa propaganda
nacionalista. Para muitos cidadãos comuns, a guerra parecia se tornar a única forma de sair do anonimato, de um cotidiano cheio
de limites, rumo á glória;
4. Quando a guerra se aproximou, excitando massas de cidadãos e mobilizando enormes recursos militares, uma máquina que, em
funcionamento, dificilmente poderia ser paralisada, poucos ou quase nenhum líder político, fosse de direita ou de esquerda,
ousariam ir contra a maré de entusiasmo;
5. A complicada teia de alianças ( a Sérvia com apoio da Rússia que era aliada da França e da Inglaterra contra a Áustria
aliada dos alemães), construída nas décadas anteriores, em que alemães e franceses visavam impedir que o outro controlasse a
Europa, transformou o conflito em mundial, naquela era de ensaio á globalização da economia. |
A Primeira Guerra travada na Europa, Ásia e África, foi total. O objetivo de cada bloco participante era riscar o inimigo do
mapa.
Quando ela acabou, o mundo, particularmente a Europa, estava em frangalhos.
O império turco, russo e austro-húngaro haviam desaparecidos. Inúmeras nacionalidades que viviam nesses impérios (árabes,
curdos, sérvios, judeus) receberam a promessa de que ganhariam seus Estados independentes. Alemanha e França, duas potências
européias, estavam esgotadas.
A Grã-Bretanha festejava a conquista de antigos territórios turcos no oriente médio, como a Palestina. Mas sabia que havia se
transformado em potência econômica de segunda classe.
Os EUA, com sua formidável capacidade industrial, um enorme mercado consumidor e sem sofrer grandes perdas com a guerra,
consolidavam-se como grande potência.
E, o Japão, graças ao seu apoio aos
países da Entente contra os alemães, ganhava sinal verde para se firmar como senhor da Ásia e afiava as garras de olho na Coréia
e China.
Surgiram novos países na Europa: Tchecoslováquia e Iugoslávia.
Era a tentativa de unificar povos que possuíam algo em comum.
Os "eslavos do sul" ou iugoslavos, falavam o mesmo idioma. Mas misturavam sérvios (cristão ortodoxos), croatas (católicos) e
bósnios (mulçumanos) dentre outros grupos menores; a Polônia foi restaurada, depois de séculos de domínio estrangeiro e a Romênia
aumentou seu território.
Nas mãos de governos conservadores, esses novos países deveriam servir como "tampões", evitando um avanço comunista, além de
funcionar como "colchão" entre alemães e Europa Ocidental.
A Alemanha teve parte de seu território surrupiado e doado á Polônia que adquiriu uma saída para o mar ("Corredor Polonês").
O horror da Primeira Guerra, com suas trincheiras intermináveis, cheias de bombas d'água e ratos e com milhões de mortos,
também permitiu a vitória, na Rússia, de uma revolução muito especial.
Os bolcheviques ou comunistas, chegaram ao poder em 1917, prometendo destruir o capitalismo e as classes sociais, para
substitui-los por uma sociedade sem exploradores e explorados. A partir daí, o temor da expansão mundial do comunismo ditaria a
agenda da política externa das maiores potências do globo. A destruição causada pelo conflito limitou muito a exportação
européia.
Em países como Brasil, Argentina e Peru, a guerra abriu espaços para o desenvolvimento de indústrias nacionais. As cidades
cresciam e atraiam imigrantes.
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Eustáquio Lagoeiro Castelo Branco Webmaster, Webwriter, professor graduado em história e sociologia,
pós-graduado com especialização em informática educacional
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