As dificuldades que a economia brasileira tem enfrentado não decorrem de causas naturais, mas de problemas criados pela sua elite
política, cuja característica básica é uma submissão colonial permanente e obsessiva. O Brasil, por exemplo, nunca precisou da
ajuda do Fundo Monetário Internacional para superar as suas dificuldades financeiras. O que aconteceu foi o contrário: foi o Fundo
Monetário Internacional o criador de todas as dificuldades nos últimos decênios.
Desde 1870, no final da Guerra do Paraguai, o nosso país foi o que mais cresceu no mundo.
De 1952 á 1987, cresceu a uma média de 7,47%, e se tivesse mantido o mesmo ritmo, o seu produto interno bruto seria de 1 trilhão
e 300 milhões de dólares, o que o colocaria no 4% lugar no mundo.
Ainda em meados deste século, O Brasil seria o país mais rico da terra, superando os Estados Unidos. Percebendo isso, os
americanos resolveram tomar medidas para resguardar a sua hegemonia, impedindo que continuasse o nosso desenvolvimento. Os "Estados
Unidos" - disse o chanceler Henry Kissinger - "não permitirão o aparecimento de um novo Japão abaixo da linha do Equador".
Sendo os dono da "casa da moeda do mundo", os Estados Unidos usam a vinculação das moedas nacionais ao sistema financeiro
internacional para criar crises que atingem todo o sistema.
Quando houve o "Crash da Bolsa de Hong Kong, por exemplo, o Chile foi obrigado a aumentar os juros de 6,5% para 7%, por causa da
retração da exportação de cobre. O Brasil que já pagava 15% de juros, aumentou-os para 49,45%. A China, de que Hong Kong faz parte,
nem sequer tomou conhecimento da dificuldade financeira de Hong Kong, porque sua moeda o Yuan, está desvinculada do dólar e nada
tem a ver com o FMI. a decorrência de sua desvinculação com o atual Sistema financeiro internacional, a China é o país mais seguro
do mundo para se aplicar dinheiro.
"A China" - escreve o economista Lawrence Brahm - "é o lugar mais seguro do planeta para se aplicar dinheiro, pois sua divisa não
é conversível e, conseqüentemente, não está exposta as especulações que tem provocado as crises do Sudeste Asiático".
A China é, no momento, o país preferido pelos investidores internacionais precisamente pela estabilidade e independência da sua
economia.
Todos os problemas financeiros do Brasil nos últimos decênios tem decorrido de sua absurda dependência ao Fundo Monetário
Internacional. O FMI é o responsável por todos os nossos problemas financeiros. No entanto, vem agora o presidente Lula e diz que,
se houver alguma vantagem em fazermos um novo acordo com o FMI, nos o faremos. Não há maior demonstração de insanidade do que esta.
Todos os problemas que o Brasil teve na área econômica resultaram de situações artificialmente criadas pelo FMI.
A economia brasileira foi a que teve maior crescimento em todo o mundo, até que foi criado o atual sistema financeiro internacional,
que, por suprema estupidez, transformou o dólar em moeda internacional.
A moeda de um país não poderia nunca ser transformada em moeda internacional porque, através dessa moeda, a economia desse país
imporia a sua hegemonia sobre o mundo.
O que o Brasil, no momento, tem que fazer é seguir o exemplo da China: usar a sua moeda nacional como o símbolo da sua soberania,
atraindo capitais de todo o mundo e realizando todos os negócios que facilitem o seu desenvolvimento e estimulem a sua prosperidade.
É a primeira coisa que o presidente Lula precisa aprender é que qualquer acordo que fizer com o Fundo Monetário Internacional
representará a ruína do Brasil, porque os interesses do nosso país e os do FMI nunca caminharão no mesmo sentido.
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Celso Brant professor de direito e jornalista In: Jornal Estado de Minas - outubro de 2003
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