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lembrar dos conceitos de fonética, fonologia, além de reconhecer as
consoantes fricativas, como elas são pronunciadas, onde algumas pronúncias
variam e ressaltar a grande diversidade dialetal existente. Sabemos que,
mesmo com a grande quantidade de informações que bombardeia a sociedade
diariamente, somos incapazes de manter em nosso discurso corriqueiro o mesmo
padrão culto que exige a Gramática Normativa da Língua Portuguesa, por isso,
fazemos adequações do nosso falar constantemente. Cada situação com a qual
nos deparamos exige uma postura diferente, devemos
nos comportarmos de maneira diferente e vestirmos roupas diversas, tanto
quanto são diversas as ocasiões para usá-las. Com o falar acontece da mesma
forma, em todos os momentos formais devemos manter um controle
epilinguístico, principalmente na sala de aula.
O professor é peça fundamental do processo de ensino-aprendizagem, sobretudo
pelo fato de ser
ele um formador de opiniões. E se é um formador de opiniões, o é através de
seu discurso, que é
sua principal ferramenta de trabalho e numa visão mais ampla e politizado é
um fator de redenção
da sociedade. Em todas as ocasiões possíveis, é papel do professor
transferir informações necessárias ao bom rendimento intelectual dos alunos,
além de ser imprescindível uma concreta, eficaz e bem elaborada
contextualização dos conteúdos. Contudo, devemos buscar em nossa comunidade
características sócio-culturais marcantes que representem nosso jeito de
viver.
Para isso, nada mais importante do que o falar, que é a identidade maior de
um povo.
No ensino de alguns “pontos” gramaticais, o discurso informal é uma arma
metodológica
bastante interessante, principalmente, em se tratando de alunos residentes
em zonas rurais, de municípios pequenos e pobres, onde apresentam em sua
linguagem natural, fortes traços
regionais, crivados por palavras arcaicas e profundas variações dialetais.
Aprender a norma
culta, para eles, é um pouco mais complicado do que para aqueles que estão
mais próximos
dos centros urbanos ou dos multimeios de comunicação, pois têm um contato
menor com
esse tipo de fala.
| “A partir da nova concepção da língua como DIASTEMA,
tornou-se possível o esclarecimento de numerosos casos de
poliformismo, de pluralidade de normas e de toda inter-relação
dos fatores geográficos, históricos, sociais e psicológicos, que
atuam no complexo operar de uma língua e orientam à sua deriva.
Condicionada de forma consciente dentro de cada grupo social e
parte integrante de competência lingüística dos seus membros, a
variação é, pois, inerente ao sistema da língua e ocorre em
todos os níveis: fonético, fonológico, morfológico, sintático e
etc. E usa multiplicidade de realizações no sistema em nada
prejudica as suas condições funcionais”. (CUNHA, Celso & CINTRA,
p.3). |
Tendo por base Celso Cunha e Cintra, é possível que se ensine elementos
construtivistas da gramática a partir da comparação com o discurso informal,
isso por que todas as faces da língua estão inter-relacionadas.
Com relação ao estudo da Fonética, que pode ser entendida como a partir da
lingüística geral que estuda e se interessa pelos sons da fala enquanto
realidade física, além dos mecanismos de
produção e recepção dos mesmos pelo organismo humano. Aproximando-se, por
tanto, das
ciências físicas e biológicas; e da Fonologia, que estuda os sons da fala do
ponto de vista das
funções que eles possuem dentro de um sistema lingüístico particular.
(Soares, Mara, 1992. p.5). Podemos, então, perceber claramente que ao
estudarmos os sons da fala temos que inicialmente dissociar as letras dos
sons, por isso, às vezes, faz-se necessário a análise de um discurso, para
que se possa entender todos os mecanismos que ocorrem involuntariamente
durante o ato da fala.
A fonologia tem por tarefa determinar, entre os sons que ocorrem numa
língua, quais são os
fonemas (servem para distinguir palavras com significados diferentes, como
por exemplo
[p] e [b] em português pala e bala) e quais os que são alofones, ou
variantes dos fonemas, como os sons diferentes da letra t em tia e tato, no
português carioca. A fonologia atua num plano mais abstrato que a fonética,
pois dois ou mais sons diferentes podem ser variantes do mesmo fonema, ou
seja, um único fonema pode aparecer sob a forma de vários sons diferentes.
É bastante proveitoso, pedagogicamente, no momento que o professor, ao falar
sobre o assunto, ilustra com palavras populares ou com a fala dos alunos a
sua explicação, assim, diminuirá o
grau de abstração do tema abordado.
As consoantes fricativas são formadas pelas letras que, ao serem
pronunciadas, os articuladores
se aproximam produzindo uma fricção. E a corrente de ar passa pela central,
ou seja, passa
bem no meio da boca. A obstrução que ocorre não é total e sim parcial.
Segundo Silva (2002, p.23) “As consoantes fricativas que ocorrem em
português são: fé, vá,
sopa, zapata, chá, já, rata que, em alguns dialetos, o som de R de “rata”
pode ocorrer
com um vibrante”.
As fricativas são classificadas segundo seu ponto de articulação e o
lugar, como diz
Silva (2002. p.37) “/f/ e /v/, são labiodentais, /s/ e /z/, dental ou
alveolar, /s/, /z/ são alveolopalatais, /x/,/y/ são velares e /h/ e // são
glotais”. Essas consoantes podem ter os sons uniformes em todos
os dialetos do português brasileiro ou não. Como mostra Silva.
| “Pata, bola, copa, gata, faca, vaca, são uniformes em todos
os dialetos brasileiros. Tapa, data, ocorre em todos os dialetos
brasileiros podendo ser alveolar ou dental. Sala, caça, paz,
zapata, casa, uniforme em início de sílabas em todos os dialetos
do português brasileiro, podendo ocorrer com articulação
alveolar ou dental. Marca variação dialetal em fim de sílaba:
paz, pasta, rasga, rata, marra, mar, carta. Pronúncia típica do
dialeto carioca, ocorre fricção audível na região velar. Na
pronúncia típica de Belo Horizonte não ocorre fricção no trato
vocal. Ambas as pronúncias numéricas, ocorrem em início de
sílabas que sejam precedidas pelo silêncio e, portanto,
encontram-se em início de palavras como rata” (SILVA, 2002. p.
37 e 38). |
Essas citações demonstraram que, em algumas pronúncias, existem
uniformidade em todos os dialetos do português brasileiro, mas em outros
isto não ocorre, mesmo em se tratando de letras iguais. A pronúncia pode ser
diferente de acordo com o dialeto do individuo já que, o que está definindo
esta diferença são os sons e não a representação gráfica, ou seja, as
letras.
A mudança de som é provocada, entre outros fatores, pela mudança do ponto de
articulação
que ocorre em algumas pronúncias.
Na maioria dos livros didáticos os exemplos sobre questões relacionadas
com fonética e, mais especificamente, que trata sobre as consoantes
fricativas, são de certo modo insuficientes. Para que se possa haver um
estudo mais proveitoso, é preciso reconhecer as dificuldades, identidades
culturais, e, a partir daí, entender como se fala, como se utiliza cada
consoante fricativa, entre outros assuntos.
As fricativas ou construtivas, constituem a série mais numerosa de
consoantes. Praticamente em qualquer parte da cavidade bucal pode haver
estreitamento com produção de som fricativo. Começando do exterior para o
interior temos em português:
[B] Caber, Baleio
[J] Já, Gente
[F] Faca, Fofo
[X] Errado
[V] Cava, Vaca
[G] Carga, Barba
[D] Fada, Cidade
[H] Rio, Mar
[S] Sair, Raça
[A] Arma, Amarrado
[Z] Zebra, Asa
[X] Rapaz, Carro
[C] Chá, Mexe
[Y] Corda, Arde
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Outras fricativas não existem no português normal, são: [Ø] contra parte
surda do [], [],
chamada de “fricativa dental plana”, porque a língua apresenta a superfície
plana, vista de frente. Ao contrário de [s, z, , ], em que a língua
apresenta uma concavidade no centro, como uma canaleta, sendo por isso
denominadas fricativas côncavas. O som [] e sua contra parte
sonora [] são ás vezes
chamadas interdentais, pois podem ser articulados com a língua entre os
dentes incisivos superiores e inferiores. Mas, se a língua permanecer plana
e atrás dos dentes incisivos superiores, o efeito acústico será praticamente
o mesmo. O som [] pode ocorrer, como característica individual, como
realização fonética do fonema [] em português: é o que se denomina ceceado
. No inglês ocorrem tanto [] como [], ambos representados na grafia
oficial pelo dígrafo th: [] the, that, those, them (o, aquele, aqueles,
lhes); [] thing, think, earth, trough (coisa, penso, terra, através).
Pensando de uma forma mais metodológica voltada para o ensino de crianças,
devemos destacar a diferença entre as letras e os seus respectivos sons, as
diversas formas de se pronunciar uma mesma letra e as variações ou alofones,
sem esquecer contudo das regras da gramática normativa.
Muitas vezes as crianças são levadas a acreditar que as letras são
responsáveis e cumprem sua função de representar graficamente os sons da
fala, por isso, desde os primeiros anos de colégio a criança vai trabalhando
com fonemas, sem no entanto saber que o faz. Levando em consideração a
relevância deste fato devemos além de dissociar a fala da escrita, trabalhar
gradativamente noções gramaticais, principalmente da escrita.
CONCLUSÃO
Por tanto, estudar e lecionar sobre assuntos complexos, como fonética ou consoantes fricativas, exigem um alto grau
de abstração e contextualização, que se for trabalhado cedo facilitará bastante a aprendizagem ou abordagem futuras.
Referências Bibliográficas
SILVA, Thais Cristófaro. Fonética e fonologia do português: roteiro de estudo e guia de
exercícios. São Paulo: Contexto, 2002.
SOARES, Maria Aparecida Botelho Pereira. Iniciação à fonética. Sub-reitoria de ensino de graduação e corpo discente –
Rio de Janeiro. 1992.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Faz e Terra, 2002.
PERINE, Mário A. Sofrendo a Gramática: Ensaios sobre a linguagem. Rio de Janeiro. Ática, 1997.
CUNHA Celso & CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.
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José Maria V. Maranhão. Mayumi P. Lopes, Rita Helena A.
P. Fontenele e Veruska M. Sousa
fazem parte do Grupo de Estudos Lingüísticos e Sociais (GELSO),
coordenado pelo professor Vicente Martins,
da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), em Sobral, Ceará. |
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