I Ching
O I Ching ou Livro das Mudanças é um antigo texto
chinês usado como oráculo para encontrar respostas a questões como "o que é que o futuro me guarda?". O livro consiste de 64
"hexagramas," cada um consistindo de 6 linhas partidas ou não. (Sessenta e quatro é o número de combinações possíveis das
linhas.) As linhas representam 2 princípios cósmicos do universo, yin e yang. Yin (Mandarin para lua) é o principio passivo,
feminino. Yang (Mandarin para sol) é o principio ativo, masculino. De acordo com a lenda, o imperador chinês Fu Hsi afirmou que
o melhor estado para tudo no universo era um equilíbrio entre yin e yang. Porque é que o I Ching tem seis linhas, contudo, é um
mistério, visto os chineses acreditarem que havia cinco elementos (madeira, fogo, terra, metal e água), cinco planetas, cinco
estações, cinco sentidos, bem como cinco cores básicas, sons e sabores. Não surpreendente, é que de acordo com Fu Hsi, a
verdadeira harmonia requer que o yang seja dominante.
Os significados cósmicos dos hexagramas foram adivinhados há muitos anos por filósofos-padres chineses em harmonia com o tao
(chinês para caminho). Consistem de frases como "o homem superior discrimina entre alto e baixo."
O I Ching é consultado usando moedas. A cada moeda é atribuído um numero. As moedas são lançadas e os numeros adicionados para
determinar o hexagrama. Contudo, hoje pode consultar o oráculo seja na internet seja num CD.
Não é dificil de perceber porque povos antigos usariam moedas, entranhas, estrelas, etc, para os ajudar a preparar o futuro. Não
tinham ciência, não conheciam a natureza, e pouco mais tinham para os guiar que os ensinamentos de adivinhos. Não é dificil de
perceber porque é que os adivinhos usaram estes métodos: pode fazer dinheiro, e se for esperto e suficientemente vago, ninguém
pode dizer que está enganado. Para lá disso, satisfaz a necessidade de muitas pessoas que precisam que lhes digam o que fazer
com as suas vidas. Isto ainda hoje é verdade, embora seja desapontador para alguns graduados da Universidade de Princeton ver a
sua escola associada a uma versão em CD-ROM do I Ching. Negócio é negócio. E um negócio que está a prosperar é o do non-sense
metafísico e místico.

Os Hexagramas
O estudo dos hexagramas ajudam você a compreender melhor seus estados de consciência, mas por si só, eles não podem e nem devem
ser a única referência para suas decisões existenciais e escolhas que você venha a tomar. A interpretação completa de um
hexagrama se apóia em um comentário de cada linha em sua posição específica naquele hexagrama: 64 hexagramas, cada um com 6
linhas resulta em 384 'comentários'! Não recriamos esses comentários aqui, mas a tabela abaixo resume estes comentários
mantendo os seus significados mais importantes.
É feita toda uma correlação entre o mundo interior e o mundo exterior onde as primeiras três linhas do hexagrama (começando a
contagem de baixo para cima) constituem o trigrama inferior e simbolizam o mundo interior. O trigrama superior( ass linhas 4, 5
e 6) simbolizam o mundo exterior. O trigrama inferior representa sua atitude em direção à motivação; o trigrama superior
representam uma atitude em direção em direção à intenção. Existem 64 possíveis combinações de seis linhas Yang (inteiras) e/ou
Yin (partidas). Este sistema foi criado pelos Chineses para ajudá-lo a alcançar o seu estado criativo a partir de um alinhamento
apropriado de suas atitudes internas e externas. Portanto o I Ching é mais um Oráculos para ser consultado usando um processo de
seleção randômica para se escolher um os 64 hexagramas para responder a uma pergunta feita.
Consultando o I Ching
Uma boa preparação também pode ser feita lavando as mãos, ascendendo um incenso e se posicionar encarando o Sul (como faziam
todas as autoridades na China antiga).
Cada hexagrama selecionado pode se transformar em um outro por meio da mudança das linhas onde uma linha yin pode ser mudada em
um yang. Esta seleção randômica pode ser feita através de um complicado método onde se usa 50 palitos, ou simplesmente jogando
três moedas. Cara ( Yang) vale três, Céu-yang. Coroa (Yin) vale dois, Terra-yin. As possibilidades de mudança das linhas são
quando você obtém um valor = 6 (Grande Yin __x__ ) ou um valor = 9 (Grande Yang ___o____ )
|
3 coroas -> 2=2=2 = 6 (Grande Yin) ___x___ => ____ yin que se transforma em yang |
|
2 coroas, 1 cara -> 2+2+3 = 7 (Pequeno Yang)_______ yang que não se transforma |
|
2 caras, 1 coroa -> 3+3+2 = 8 (Pequeno Yin) ___ ___ yin que não se transforma |
|
3 caras -> 3+3+3 = 9 (Grande Yang) ___o___ => ___ ___ yang que se transforma em yin |
O processo de consulta inicia-se com a formulação de uma pergunta prática de sua vida real que envolva um problema que você
esteja enfrentando ou uma decisão que você deve tomar. Definindo a sua pergunta claramente, facilitará a leitura para que ela
seja relevante à sua situação. É melhor ser preciso e pouco vago. Após formular a pergunta e selecionado o(s) hexagrama(s),
este(s) lhe dará (ão) uma idéia de como deverá ser sua ação e qual deverá ser sua atitude interna.
O simbolismo inserido nos comentários de cada linha do hexagrama é generalizado pois parece que o livro das mutações, o I Ching
foi escrito ao longo da história de mais de mil anos por uma centena de sábios e acadêmicos. Entretanto, os lendários governantes
Chineses Rei Wen e o Duque de Chou, juntamente com Kung Fu Tsu (Confúcio) receberam os créditos da maiorias dos escritos.
As seis linhas de cada hexagrama se referem aos sete estados de consciência( quatro funções e três reinos) com a supressão da
função do meio , que é a vontade. Portanto a primeira linha representaria a sensação, a segunda o pensamento, a terceira o
sentimento, a quarta o corpo, a quinta a alma e a sexta o espírito.
Usando a terminologia Confuciana, a primeira linha( ao fundo do hexagrama) é a linha da sensação, chamada de "a causa externa".
A sexta linha (no topo), a linha do espírito, que é o "resultado". Esta sexta linha, como a primeira também não depende de sua
consciência. A segunda linha é o "oficial"; a quinta "o príncipe"; a terceira " é a sua motivação que o levará à quarta linha
que é o Karma.
| Resultado |
6 ...................Espírito |
| Príncipe |
5 .......................Alma |
| Karma |
4......................Corpo |
| Motivação |
3 ............Sentimento |
| Oficial |
2............Pensamento |
| Causa Externa |
1 ...............Sensação |
Este sistema randômico é extremamente poderoso e efetivo pois te conecta com o TAO.
O hexagrama selecionado lhe servirá de guia para qual sua atitude deve ser com relação à sua questão em particular. A lei que
rege esta relação entre o interno e o externo é o que C.G. Jung chamou de "Sincronicidade"; uma relação de princípio acausal que
liga a sua realidade física à seu próprio inconsciente.
Se quiser fazer uma consulta. Click no link que se encontra no final dessa página.
História
Existem basicamente duas versões da origem do I Ching: a mítica e a histórica.
Algumas traduções ainda apresentam a versão mítica como se fosse verdade, mas não é.
O mito da origem do I Ching foi aceito como uma verdade histórica durante séculos na China.
Foi somente no Séc. XIX que algumas descobertas arqueológicas começaram a revelar uma história diferente do I Ching. Estas
descobertas eram fascinantes, e imensamente valiosas para os usuários do I Ching pela luz que eles jogam nos significados
dos textos mais antigos.
Porém, eles não substituem o mitos. A vai uma pequena descrição de ambas as verdades.
Assim você poderá perceber a notável correspondência entres as duas.
A Verdade Mítica
A estória do I Ching começa do a descoberta dos trigramas por Fu Hsi, o primeiro imperador da China que renunciou 2852-2737 AC..
Fu Hsi, que observava a natureza com cuidado e atenção, caminhava a longo do Rio Amarelo quando ele viu uma tartaruga saindo da
água.
Naturalmente ele a observou com atenção; e compreendeu que a sabedoria vinha quando se observava a natureza atentamente.
As tartarugas são animais significativos na cultura Chinesa, pois o domo de seus cascos representam o domo do céu e seu fundo
achatado a terra. , assim a tartaruga parece incorporar o cosmos. Na costas desta tartaruga, Fu Hsi viu oito trigramas - símbolos
que consistem em uma pilha de três linhas, inteiras ou partidas.
Estudando-as juntamente com o mundo a sua volta e dentro de si mesmo, Fu Hsi chegou à compreensão como os trigramas refletem as
verdades básicas sobre como as energias se movem.
E ao fazê-lo ele criou a fundação tanto da tradicional visão de mundo Chinesa como também para o I Ching.
O I Ching não foi criado até a dinastia Shang (1766-1122AC) que injustamente aprisionou a sua esposa e seu honesto vassalo Chou,
Rei Wen (que recebeu o título de Rei postumamente), Wen cumpriu a sua pena refletindo sobre os trigramas, re-arranjando-os e,
combinando-os em hexagramas. Ele também escreveu o nome para cada um dos 64 hexagramas, e algumas poucas linhas sobre seus
significados, que nós agora conhecemos como o Julgamento.
Eventualmente, o filho do Rei Wen destronou o cruel e extravagante Shang e estabeleceu a nova dinastia Chou, que durou até 221
AC. Seu neto se tornou um governante, e o tio do garoto, o Duque de Chou, foi apontado como regente. O Duque de Chou terminou
o trabalho do Rei Wen escrevendo textos curtos associados cada uma das seis linhas de cada hexagrama.
Finalmente, Kung Fu Tsu, o próprio Confúcio (551-479AC) estudou o I ching exaustivamente e escreveu intensos comentários
sobre ele, que são conhecidos como a "Asas" do I Ching.
Estes incluíam O Conselho (ou Imagem), o Comentários sobre o Julgamento e sobre as linhas, como também os Contrastes, as
Sequências, as Evidências atribuídas mais uma Discussão dos Trigramas e o Grande Tratado.
Com as origens nos grandes governantes da China antiga, e a iluminação que Confúcio ofereceu, o I Ching se formou como um todo..
Foi considerado um clássico e sua leitura era imperativa para que quisesse entrar nas altas rodas da sociedade Chinesa.
O mais antigos sistema de adivinhação na China data da dinastia Shang. Consistia em esquentar os ossos de animais no fogo e
estudava-se as rachaduras produzidas neles., para se descobrir a época exata para se fazer um sacrifício. Traços desta prática
antiga ainda está presente em quatro dos ideogramas mais antigos do I Ching: Yuan, Heng, Li, Chen.
Eles possuem um enorme leque de significados e associações - eles representam as quatro estações, e também as qualidades de
fundamentabilidade, sucesso, competência e perseverança.
Em seu primeiro uso, entretanto, esta frase parecia significar 'o início de uma comunicação bem sucedida com os espíritos;
perguntar mais seria ajustar-se a um nível mais profundo". na verdade, esta prática nos mostra os princípios mais básicos da
adivinhação Chinesa.
Os cascos das tartarugas eram usados também, da mesma forma que os ossos dos animais, para produzirem padrões de rachaduras para
os adivinhadores interpretar. Mas os cascos das adivinhações antigas podiam ser guardados para referências futuras - e neste
ponto os adivinhadores antigos começaram a inventar a escrita. Imagens eram gravadas nos cascos como um registro do que
foi perguntado, e que resultado se obteve. Os arquivos remanescentes mostram que o oráculos da tartaruga era consultado para
questões de estado.: guerra, propostas de casamento, o nascimento de uma princesa.
A partir de 1.000 AC, até um pouco depois da dinastia Chou ser fundada, os textos do I Ching como nós conhecemos começaram a
ser escritos. Eles provavelmente vieram de uma tradição antiga oral, portanto é difícil estabelecer a mais antiga camada do
I Ching. Foi também nesta época que o método dos palitos para a adivinhação foi criado. Isto pode muito bem ter sido, pelo
menos em parte, uma resposta ao perigo de extinção das tartarugas. Este método teve um efeito de tornar a adivinhação mais
fácil, mais prático e mais disponível. O que havia sido uma prerrogativa de imperadores começou a se espalhar por toda a China
popular.
As raízes do I Ching que nós temos hoje pode ser datado com segurança do Séc. VIII AC.
Primeiro pelos vocabulário comum em documentos da época e que não foram usados desde então. Segundo, porque algumas referências
de eventos históricos da época foram identificados.
Em particular, o julgamento do Hexagrama 35 se refere ao Príncipe Kang, um príncipe Chou que é conhecido por ter abandonado
o nome Kang logo após a conquista Chou. Talvez este nome antigo tenha sido lembrado e somente atualmente escrito - mas isto pelo
menos nos dá a data para a tradição do I Ching. Os hexagramas básicos do I Ching, seus nomes, Julgamentos e os textos da
linhas foram muito provavelmente completados por volta de 700 AC. Os hexagramas, como um meio de se referir aos textos.
vieram bem depois, no séc V AC.
Esta foi uma descoberta crucial, tornando possível verificar o movimento da energia que os textos descrevem.
O Comentário Tso, que data de 672 AC, se refere ao uso histórico de Chou centenas de anos antes - mas não podemos assegura
que estas datas seja confiáveis. Nós sabemos que naquela época em que foi escrito, a popularidade do I Ching estava crescendo
visivelmente.
Durante o período de Guerra dos Estados(475-221 AC) o I Ching se firmou. Este foi um período de grandes mudanças políticas e
culturais, cheio de incertezas. os textos do I Ching eram coletados em forma de livro, e os adivinhadores os carregavam por
toda a China.
E quando a ordem foi finalmente, mas brutalmente restabelecida em 221 AC, os novos governantes ( a dinastia Ch'in , que durou
pouco) ordenou que se queimassem todos os livros.
O I Ching foi foi um dos poucos volumes que foi poupado, por causa de seu valor prático.
Durante a mais pacífica dinastia Han que se seguiu, o I Ching foi ‘canonizado’ como um clássico (‘I’) e se tornou um objeto
de intenso trabalho acadêmico. Durante este período - do séc III AC até a virada do milênio - as "Asas"do I Ching foram
adicionadas, com um comentário detalhado das inter-relações das linhas dos hexagramas e a descoberta dos trigramas.
Confúcio não deve ter escrito nada disto, apesar deles terem sido, em parte, baseados em suas idéias. Os acadêmicos também devem
ter feito uso das tradições orais antigas, certamente, os textos do Conselho ( ou Imagens) parecem enfraquecer sutilmente o
Comentário mais convencional.Esta é, nominalmente, quase que o fim da 'história'do I Ching.
O manuscrito Ma Wang Dui, enterrado em 168 AC, é considerado ser substancialmente a mesma versão que nós temos hoje. , apesar
dos hexagramas estarem em uma ordem diferente.
A ordem atual foi sugerida pela primeira vez no Séc. 2 AC, mas foi somente estabelecida como a ordem padrão por Wang Bi (226-250
DC).
O I Ching não é somente um livro: é uma conversação entre inúmeras gerações de questionadores, por mais de mil anos, e o espírito
que fala através do livro. A conversa continua, com cada pergunta revelando novas fronteiras e padrões de significados. A
necessidade pelo I Ching é mais sentida em tempos de mudanças radicais - e ele responde a uma necessidade profunda de nossa
era.
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