Infância
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Graciliano Ramos
Infância
Resenha, Obras, bibliografia e informações.
por Márcia Cabral da Silva*

Tese de doutorado e um dos poucos trabalhos acadêmicos sobre o
escritor Graciliano Ramos enfocando a obra "Infância" do escritor,
nascido em Quebrângulo (Alagoas), em 1892.

Graciliano Ramos, em Infância (escrito em 1945, reeditado em 1993), seu romance de memórias, revela o quanto foi árdua a sua experiência de criança, nos fins do século XIX
e início do século XX, vivida praticamente no interior de Alagoas. Primogênito de
um casal sertanejo de classe média, cresce em meio a uma prole numerosa, distanciado de pequenos gestos de afeto, aventuras e estripulias infantis.
Ao contrário, o leitor indagará, a todo momento, como foi possível para uma criança, vivenciando rituais de passagem a ponto de faca, sobreviver e tornar-se um dos escritores brasileiros dos mais expoentes.

Como tem sublinhado a crítica a respeito deste romance, fica no leitor a sensação permanente de uma enorme lente realista usada pelo menino Graciliano, para alertar, com
precisão, sobre a dureza nas travessias da vida, a quem desejar acompanhá-lo. Por essas mesmas lentes, o leitor é informado dos aspectos mais velados da experiência infantil, da condição
humana - reais, históricos, culturais.

A exemplo do que afirmei sobre Canetti, Graciliano não nasce, nem se forma leitor naturalmente.
É enfrentando obstáculos de toda ordem que esse processo lenta e penosamente se desenvolve. Diferentes das experiências afetuosas em família, narradas pelo autor búlgaro, Graciliano
relata passagens de um ambiente familiar absolutamente árido, onde só encontra
indiferença, injustiça, ingratidão...

As minhas primeiras relações com a justiça foram dolorosas e deixaram-me funda impressão. Eu devia ter quatro ou cinco anos, por aí, e fiquei na qualidade de réu. Certamente já me haviam feito representar esse papel, mas ninguém me dera a entender que se tratava de julgamento.
Batiam-me porque podiam bater-me, e isto era natural (Ramos, 1993, p. 29).

Em meio a adversidades de toda ordem - ambiente cultural incompreensível, tensas relações familiares, debilidade física - têm início as suas primeiras experiências com a leitura:

Minha mãe lia devagar, numa toada inexpressiva, fazendo pausas absurdas, engolindo vírgulas
e pontos, abolindo esdrúxulas, alongando ou encurtando palavras. Não compreendia bem
o sentido delas. E, com tal prosódia e tal pontuação, os textos mais simples se obscureciam
(Ramos, 1993, p. 63).

O fragmento é ilustrativo do grande distanciamento da criança em relação à mãe, ao conteúdo
das histórias, ao modo desatencioso de ler. Conforme a própria criança denuncia, as histórias mais simples se perdiam em barulhos sem sentido, deteriorados ainda mais pela mediação inexpressiva
da figura materna. Era ainda no contato com esta “senhora agressiva, ranzinza” que os livros se tornavam cada vez mais desinteressantes, inapropriados, objetos descontextualizados.

Afinal minha mãe rebentou em soluços altos, num choro desabalado. Agarrou-me, abraçou-me violentamente, molhou-me de lágrimas. Tentei livrar-me das carícias ásperas (...) A exaltação diminuiu, o pranto correu manso, estancou, e uma vozinha triste confessou-me, entre longos
suspiros que o mundo ia acabar. Estremeci e pedi explicações. Ia acabar.
Estava escrito nos desígnios da Providência, trazidos regularmente pelo correio (...)
Não percebendo o mistério das letras, achava difícil que elas se combinassem para narrar a
infeliz notícia ( Ramos, 1993, p. 65 e 66).

O menino Graciliano não se reconhece no conteúdo da história narrada, tema distanciado de suas possibilidades de compreensão, de seu universo de interesse.
De outra parte, tudo o que se refere à leitura chega-lhe mal, amedronta-o. Então, por que e para que aprender aqueles sons que não faziam sentido, que só lhe causam humilhação, assombro, sofrimento? Dos vínculos familiares que lhe embotam a curiosidade, o desejo pela leitura, destaca-se aquele que mais temor lhe causa:

Meu pai não tinha vocação para o ensino, mas quis meter-me o alfabeto na cabeça. Resisti, ele teimou - e o resultado foi um desastre. Cedo revelou impaciência e assustou-me. Atirava rápido
meia dúzia de letras, ia jogar solo. À tarde pegava um côvado, levava-me para a sala de visitas - e
a lição tempestuosa. Se não visse o côvado eu ainda poderia dizer qualquer coisa.
Vendo-o, calava-me. Um pedaço de madeira, negro, pesado, da largura de quatro dedos (...)
Afinal meu pai desesperou de instruir-me, revelou tristeza de haver gerado um maluco e
deixou-me.( Ramos, 1993, p. 96 a 99)

A partir deste trecho, é possível inferir empecilhos diversos na relação da criança com as
primeiras experiências de leitura: a mediação do pai com o ato da leitura é realizada em meio a surras e humilhações; para o pai, a leitura se restringe à memorização de letras, traços sem
história e, portanto, desprovidos de sentido; à criança não é permitido descobrir o mistério das combinações das letras em palavras, em histórias que lhe despertasse o desejo de penetrar no mundo letrado; das mais diferentes formas são tensionados os vínculos entre a criança e o
meio sócio-cultural que a gerou.

No que diz respeito aos vínculos familiares e à leitura, vai crescendo uma teia inconciliável.
Naquele contexto, Graciliano decepciona-se sempre - o primeiro, o segundo, o terceiro livro - todos tediosos, pesados, inadequados:

Um grosso volume escuro, cartonagem severa. Nas folhas delgadas, incontáveis, as letras fervilhavam, miúdas, e as ilustrações avultavam num papel brilhante como rasto de lesma ou
catarro seco. Principiei a leitura de má vontade (...) - Passarinho, queres tu brincar comigo? Forma de pergunta esquisita, pensei (...) Os meus infelizes miolos ferviam (...) Achava-me obtuso.
Contudo cheguei ao final dele. Acordei bambo, certo de que nunca me desembaraçaria dos
cipoais escritos ( Ramos, 1993, p. 117 a 119).

Na escola, há alguns curtos momentos de aproximação com a leitura, especialmente quando
mediada pelo calor humano, por gestos afetuosos. Ocorre, desse modo, com a professora de
nome Maria. Mas, logo, há mudanças e a escola passa a circunscrever, uma vez mais, espaço
vazio de vida, novas e velhas decepções:

O lugar de estudo era isso. Os alunos se imobilizavam nos bancos: cinco horas de suplício uma crucificação (...) Não há prisão maior do que escola primária do interior.
A imobilidade e a insensibilidade me aterraram. Abandonei os cadernos e
auréolas, não deixei que as moscas me comessem. Assim, aos nove anos ainda
não sabia ler. (Ramos, 1993, p. 188)

Entretanto, o processo de aquisição da leitura começa a tomar um rumo diferenciado quando o menino Graciliano percebe que diante de meios tão adversos - o familiar, o escolar -, teria ele próprio que vencer toda a sorte de dificuldades. Para que o processo se inaugurasse, conta, pela primeira vez, com o entusiasmo de uma figura feminina, a prima Emília:

Era necessário que a priminha lesse comigo o romance e me auxiliasse na decifração dele.
Emília respondeu com uma pergunta que me espantou. Por que não me arriscaria a tentar a
leitura sozinho? Longamente lhe expus a minha fraqueza mental, a impossibilidade de compreender as palavras difíceis, sobretudo na ordem terrível em que se juntavam (...)
Emília combateu a minha convicção, falou-me dos astrônomos, indivíduos que liam no céu,
percebiam tudo quanto há no céu (...) E tomei coragem, fui esconder-me no quintal, com os lobos,
o homem, a mulher, os pequenos, a tempestade na floresta, a cabana do lenhador. Reli as folhas percorridas. E as partes que esclareciam derramavam escassa luz sobre os pontos obscuros. Personagens diminutas cresciam, vagarosamente me penetravam a inteligência espessa, vagarosamente (Ramos, 1993, p. 190, 191).

É possível depreender do fragmento que para aquela criança a descoberta da leitura ocorreu como um temível rito de passagem. Graciliano, menino, precisou fazer uso dos recursos que possuía e desvendar por si mesmo tantos outros até então desconhecidos. Só desse modo, a palavra ia ganhando espessura, sentido, amplidão. Processo lento, árduo, que contribuía para formar a personalidade talhada em pedra de Graciliano menino, de Graciliano adulto, de Graciliano
escritor. Como ele próprio revela, aos poucos, as palavras iam se agrupando em textos que se iluminavam porque, agora, plenos de significados. Nessa perspectiva, as surras, as humilhações,
o embrutecimento humano e cultural cediam lugar para a construção de uma história diversa,
onde a libertação pela linguagem fazia crescer aquela existência oprimida.

Além da prima Emília, merece destaque, ao longo do processo, o leitor-tabelião Jerônimo Barreto. Como Graciliano enfrentasse, à época, grande dificuldade financeira para aquisição de novos
livros, precisou recorrer àqueles profissionais que possuíssem biblioteca particular e se
dispusessem a lhe emprestar os misteriosos volumes. Neste momento, crescia o leitor e, com ele,
o desejo de conhecer novas histórias, outras terras, infinitos horizontes... As suas palavras são bastante ilustrativas de como esse percurso se delineava:

(...) Eu precisava ler, não os compêndios escolares insossos, mas aventuras, justiça, amor,
vinganças, coisas até então desconhecidas (...) Queria isolar-me, como fiz quando nos mudamos
em razão de consertos na casa (...) A pretexto de ver os trabalhos, escapulia-me com o romance debaixo do paletó, voltava, desviava-me dos pedreiros, serventes e pintores, ia esconder-me na
sala (Ramos, 1993, p. 211).

Mas como conseguir novos e interessantes livros que alimentassem a sua imaginação, o desejo incipiente de formar-se leitor? Todos eram muito caros, especialmente quando enviados de Lisboa. Uma vez mais, a prima Emília abre-lhe perspectivas, indicando os prováveis possuidores de bibliotecas particulares na pequena cidade. Outro rito de passagem, mas, dessa vez, realizado
em meio a amadurecidas convicções:

Dirigi-me à casa, subi a calçada, retardei o passo, como de costume, diante das procurações e públicas-formais. E bati à porta (...) Expressei-me claro, exibi os gadanhos, assegurei que não dobraria as folhas, não as estragaria com saliva. Jerônimo abriu a estante entregou-me sorrindo
O Guarani, convidou-me a voltar, franqueou-me as coleções todas (Ramos, 1993, p. 212, 213).

Sem dúvida, Jerônimo Barreto demonstra ser mediador fundamental entre o menino Graciliano
e o ato da leitura, que ia se adensando lentamente. Leitura, nesta altura, já não significava
tormento, decifração de palavras mortas, repetição de conteúdos sisudos... Depois da leitura de
O Guarani, o leitor Jerônimo Barreto o convidaria a percorrer diversos caminhos: Joaquim
Manuel de Macedo, Júlio Verne, Ponson du Terrail ...E, desse modo, os horizontes do pequeno
leitor se universalizavam. É bem verdade que continuavam os atropelos no novo colégio, as humilhações das redações rabiscadas - consideradas pelo professor “incorrigíveis” - as
declamações de capitais e rios da Europa... No entanto, Graciliano havia atravessado o mais doloroso rito de passagem, conquistando por si mesmo recursos plenos em direção ao seu crescimento humano, intelectual:

Descurei as obrigações da escola e os deveres que me impunham na loja. Algumas disciplinas, porém, me ajudavam a compreensão do romance e tolerei-as - bocejei e cochilei buscando penetrá-las. Em poucos meses, li a biblioteca de Jerônimo Barreto. Mudei hábitos e linguagem. Minha mãe notou as modificações com impaciência (...) A única pessoa real e próxima era
Jerônimo Barreto, que me fornecia a provisão de sonhos, me falava na poeira de Ajácio, no
trono de S. Luís, em Robespierre, em Marat (Ramos, 1993, p.216).

Jerônimo Barreto não apenas lhe fornece as primeiras experiências significativas com a leitura
como também lhe abre a perspectiva de um acervo universal; o menino compreende que, muitas vezes, é preciso tolerar conceitos sisudos, pois ali poderia estar contida a chave para a
compreensão de romances mais densos; leitura não significa somente fonte de prazer, mas perspectiva de crescimento; o contato com Jerônimo, leitor, torna-se extremamente significativo porque lhe oferecia material para os sonhos, alimento farto para suas fantasias; a criança
descobria, pela primeira vez, que podia desgarrar-se da vida dura, de pedra, pois quando
voltasse a ela, conseguiria viver melhor.

Vale dizer que com o romance Infância, pode-se redescobrir o sentido histórico e cultural do
conceito de leitura. A criança que até os nove anos de idade repudiou a leitura que lhe era imposta, aprende com um leitor sensível a conhecer a universalidade do ato da leitura, a sua história e as marcas que pode imprimir na humanidade. Aos poucos, o menino Graciliano se percebe, por meio
das leituras, indagando o mundo, falando e se comportando de modo diferente. O sujeito, grande
ou pequeno, tem apenas no meio sócio-cultural as possibilidades de romper as amarras do apagamento e caminhar em direção ao seu pleno desenvolvimento intelectual - sentido
maior da leitura.

......

Considerações


Os mediadores da leitura nem sempre estarão, portanto, enraizados nos meios familiares, nas instituições escolares. Muitas vezes, é em meio a outras situações, culturalmente significativas,
que o sujeito encontrará alimento para o seu pleno desenvolvimento enquanto leitor.

Retomando as questões postas no início deste diálogo, podemos dizer que a observação daqueles relatos autobiográficos contribui para a compreensão de diversos elementos em jogo na formação
do leitor. Tanto a experiência das primeiras leituras de Elias Canetti quanto a de Graciliano Ramos, cada uma de sua forma, desenvolve-se em um contexto histórico e cultural determinado.

O modo que cada leitor encontra para consolidar esse processo varia de pessoa para pessoa e se relaciona, estreitamente, com o meio sociocultural em que está inserido. A relação com o ato da leitura nem sempre é prazerosa, pois depende, substancialmente, de mediadores sensíveis e
atentos à singularidade de cada indivíduo e, obviamente, às suas diferenças. Quanto mais a
criança tem acesso a textos universais, a leituras espessas, contextualizadas, mais exigente e curiosa será a sua perspectiva de leitura.

O compromisso do livro infantil com a pedagogia; - que tanto tem limitado o seu crescimento, particularmente nas suas origens - ; lista dos clássicos; discursos insossos em prol da leitura;
textos com esquemas úteis e lições moralizantes; fórmulas e manuais do bom leitor não têm garantido ao longo de nossa história incipiente de leitura essa formação. Ao contrário, é no
binômio bem trançado entre leitor e memória, leitura e prática cultural, que se vislumbra alguma
luz para essa história da leitura, para a formação do leitor, grande ou pequeno.

*Márcia Cabral da Silva Professora doutora em Teoria e História Literária, com tese defendida no Instituto dos Estudos da Linguagem, na Universidade Estadual de Campinas.
A tese intitulada Infância de Graciliano Ramos: uma história da formação do leitor no Brasil vincula-se ao Projeto Memória de Leitura daquela instituição.
Atualmente, desenvolve o Projeto Alfabetização, Leitura e Escrita, na Faculdade de Educação do Estado do Rio de Janeiro, junto ao Departamento de Estudos Aplicados ao ensino, na área de Linguagem.


"Começamos oprimidos pela sintaxe e acabamos às voltas
com a Delegacia de Ordem Política e Social, mas, nos
estreitos limites a que nos coagem a gramática e a lei,
ainda nos podemos mexer"


Biografia e Bibliografia


Graciliano Ramos nasceu no dia 27 de outubro de 1892, na cidade de Quebrangulo, sertão de Alagoas, filho primogênito dos dezesseis que teriam seus pais, Sebastião Ramos de Oliveira e
Maria Amélia Ferro Ramos. Viveu sua infância nas cidades de Viçosa, Palmeira dos Índios (AL) e Buíque (PE), sob o regime das secas e das surras que lhe eram aplicadas por seu pai, o que o fez alimentar, desde cedo, a idéia de que todas as relações humanas são regidas pela violência.
Em seu livro autobiográfico "Infância", assim se referia a seus pais: "Um homem sério, de testa larga (...), dentes fortes, queixo rijo, fala tremenda; uma senhora enfezada, agressiva, ranzinza (...), olhos maus que em momentos de cólera se inflamavam com um brilho de loucura".

Em 1894, a família muda-se para Buíque (PE), onde o escritor tem contacto com as primeiras letras.

Em 1904, retornam ao Estado de Alagoas, indo morara em Viçosa. Lá, Graciliano cria um
jornalzinho dedicado às crianças, o "Dilúculo". Posteriormente, redige o jornal "Echo Viçosense", que tinha entre seus redatores seu mentor intelectual, Mário Venâncio.

Em 1905 vai para Maceió, onde freqüenta, por pouco tempo, o Colégio Quinze de Março, dirigido pelo professor Agnelo Marques Barbosa.

Com o suicídio de Mário Venâncio, em fevereiro de 1906, o "Echo" deixa de circular. Graciliano publica na revista carioca "O Malho" sonetos sob o pseudônimo de Feliciano de Olivença.

Em 1909, passa a colaborar com o "Jornal de Alagoas", de Maceió, publicando o soneto "Céptico" sob o pseudônimo de Almeida Cunha. Até 1913, nesse jornal, usa outros pseudônimos: S. de
Almeida Cunha, Soares de Almeida Cunha e Lambda, este usado em trabalhos de prosa.
Até 1915 colabora com "O Malho", usando alguns dos pseudônimos citados
e o de Soeiro Lobato.

Em 1910, responde a inquérito literário movido pelo Jornal de Alagoas, de Maceió. Em outubro, muda-se para Palmeira dos Índios, onde passa a residir.

Passa a colaborar com o "Correio de Maceió", em 1911, sob o pseudônimo de Soares Lobato.

Em 1914, embarca para o Rio de Janeiro (RJ) no vapor Itassuoê. Nesse ano e parte do ano
seguinte, trabalha como revisor de provas tipográficas nos jornais cariocas "Correio da Manhã",
"A Tarde" e "O Século". Colaborando com o "Jornal de Alagoas" e com o fluminense "Paraíba
do Sul", sob as iniciais R.O. (Ramos de Oliveira). Volta a Palmeira dos Índios, em meados
de 1915, onde trabalha como jornalista e comerciante. Casa-se com Maria Augusta Ramos.

Sua esposa falece em 1920, deixando quatro filhos menores.

Em 1927, é eleito prefeito da cidade de Palmeira dos Índios, cargo no qual é empossado em 1928.
Ao escrever o seu primeiro relatório ao governador Álvaro Paes, “um resumo dos trabalhos realizados pela Prefeitura de Palmeira dos Índios em 1928”, publicado pela Imprensa Oficial de Alagoas em 1929, a verve do escritor se revela ao abordar assuntos rotineiros de uma
administração municipal. No ano seguinte, 1930, volta o então prefeito Graciliano Ramos com um novo relatório ao governador que, ainda em nossos dias, não se pode ler sem um sorriso nos
lábios, tal a forma sui generis em que é apresentado. Dois anos depois, renuncia ao cargo de
prefeito e se muda para a cidade de Maceió, onde é nomeado diretor da Imprensa Oficial.
Casa-se com Heloisa Medeiros. Colabora com jornais usando o pseudônimo de Lúcio Guedes.

Demite-se do cargo de diretor da Imprensa Oficial e volta a Palmeira dos Índios, onde funda
urna escola no interior da sacristia da igreja Matriz e inicia os primeiros capítulos do romance
São Bernardo.

O ano de 1933 marca o lançamento de seu primeiro livro, "Caetés", que já trazia consigo o pessimismo que marcou sua obra. Esse romance Graciliano vinha escrevendo desde 1925.

No ano seguinte, publica "São Bernardo". Falece seu pai, em Palmeira dos Índios.

Em março de 1936, acusado — sem que a acusação fosse formalizada — de ter conspirado no malsucedido levante comunista de novembro de 1935, é demitido, preso em Maceió e enviado a Recife, onde é embarcado com destino ao Rio de Janeiro no navio "Manaus". com outros 115 presos. O país estava sob a ditadura de Vargas e do poderoso coronel Filinto Müller.

No período em que esteve preso no Rio, até janeiro de 1937, passou pelo Pavilhão dos Primários
da Casa de Detenção, pela Colônia Correcional de Dois Rios (na Ilha Grande), voltou à Casa de Detenção e, por fim, pela Sala da Capela de Correção. Seu livro "Angústia" é lançado no mês de agosto daquele ano. Esse romance é agraciado, nesse mesmo ano, com o prêmio "Lima Barreto", concedido pela "Revista Acadêmica".
 

Foi libertado e passou a trabalhar como copidesque em jornais do Rio de Janeiro, em 1937.
Em maio, a "Revista Acadêmica" dedica-lhe uma edição especial, de número 27 - ano III,
com treze artigos sobre o autor. Recebe o prêmio "Literatura Infantil", do Ministério da
Educação", com "A terra dos meninos pelados."

Em 1938, publica seu famoso romance "Vidas secas". No ano seguinte é nomeado Inspetor
Federal do Ensino Secundário no Rio de Janeiro.

Em 1940, freqüenta assiduamente a sede da revista "Diretrizes", junto de Álvaro Moreira, Joel Silveira, José Lins do Rego e outros "conhecidos comunistas e elementos de esquerda", como consta de sua ficha na polícia política. Traduz "Memórias de um negro", do americano Booker T. Washington, publicado pela Editora Nacional, S. Paulo.

Publica uma série de crônicas sob o título "Quadros e Costumes do Nordeste" na revista
"Política", do Rio de Janeiro.

Em 1942, recebe o prêmio "Felipe de Oliveira" pelo conjunto de sua obra, por ocasião do jantar comemorativo a seus 50 anos. O romance "Brandão entre o mar e o amor", escrito em parceria
com Jorge Amado, José Lins do Rego, Aníbal Machado e Rachel de Queiroz é publicado pela Livraria Martins, S. Paulo.

Em 1943, falece sua mãe em Palmeira dos Índios.

Lança, em 1944, o livro de literatura infantil "Histórias de Alexandre". Seu livro "Angústia" é publicado no Uruguai.

Filia-se ao Partido Comunista, em 1945, ano em que são lançados "Dois dedos" e o livro de memórias "Infância".

O escritor Antônio Cândido publica, nessa época, uma série de cinco artigos sobre a obra de Graciliano no jornal "Diário de São Paulo", que o autor responde por carta. Esse material transformou-se no livro "Ficção e Confissão".

Em 1946, publica "Histórias incompletas", que reúne os contos de "Dois dedos", o conto inédito "Luciana", três capítulos de "Vidas secas" e quatro capítulos de "Infância".

Os contos de "Insônia" são publicados em 1947.

O livro "Infância" é publicado no Uruguai, em 1948.

Traduz, em 1950, o famoso romance "A Peste", de Albert Camus, cujo lançamento se dá nesse mesmo ano pela José Olympio.

Em 1951, elege-se presidente da Associação Brasileira de Escritores, tendo sido reeleito em 1962.
O livro "Sete histórias verdadeiras", extraídas do livro "Histórias de Alexandre", é publicado.

Em abril de 1952, viaja em companhia de sua segunda esposa, Heloísa Medeiros Ramos, à Tcheco-Eslováquia e Rússia, onde teve alguns de seus romances traduzidos. Visita, também, a França e Portugal. Ao retornar, em 16 de junho, já enfermo, decide ir a Buenos Aires, Argentina, onde se submete a tratamento de pulmão, em setembro daquele ano. É operado, mas os médicos
não lhe dão muito tempo de vida. A passagem de seus sessenta anos é lembrada em sessão
solene no salão nobre da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, em sessão presidida por Peregrino Júnior, da Academia Brasileira de Letras. Sobre sua obra e sua personalidade falaram Jorge
Amado, Peregrino Júnior, Miécio Tati, Heraldo Bruno, José Lins do Rego e outros.
Em seu nome, falou sua filha Clara Ramos.

No janeiro ano seguinte, 1953, é internado na Casa de Saúde e Maternidade S. Vitor, onde vem
a falecer, vitimado pelo câncer, no dia 20 de março, às 5:35 horas de uma sexta-feira. É publicado
o livro "Memórias do cárcere", que Graciliano não chegou a concluir, tendo ficado
sem o capítulo final.

Postumamente, são publicados os seguintes livros: "Viagem", 1954, "Linhas tortas", "Viventes
das Alagoas" e "Alexandre e outros heróis", em 1962, e "Cartas", 1980, uma reunião
de sua correspondência.

Seus livros "São Bernardo" e "Insônia" são publicados em Portugal, em 1957 e 1962, respectivamente. O livro "Vidas secas" recebe o prêmio "Fundação William Faulkner",
na Virginia, USA.

Em 1963, o 10º aniversário da morte de Mestre Graça, como era chamado pelos amigos, é
lembrado com as exposições "Retrospectiva das Obras de Graciliano Ramos", em Curitiba(
PR), e "Exposição Graciliano Ramos", realizada pela Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

Em 1965, seu romance "Caetés" é publicado em Portugal.

Seus livros "Vidas secas" e "Memórias do cárcere" são adaptados para o cinema por Nelson Pereira dos Santos, em 1963 e 1983, respectivamente. O filme "Vidas secas" obtem os prêmios "Catholique International du Cinema" e "Ciudad de Valladolid" (Espanha). Leon Hirszman
dirige "São Bernardo", em 1980.

Fonte:
http://www.releituras.com/graciramos_bio.asp
 

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