Não basta que o intelecto veja os males e seu remédio. Não
teremos existência digna deste nome, nem nos identificaremos
com o nosso meio, enquanto tivermos por estímulo o pensamento
e não o espírito.¹ |
Atrás de uma simples pergunta, pode haver uma insuspeitada complexidade no
trato com o tema em questão. Naturalmente, uma possível resposta “objetiva”
passaria pela obviedade da indicação de melhorias estruturais, políticas de
acesso às camadas desfavorecidas, mudanças curriculares, de abordagem
metodológica, incremento de recursos para fins didático-pedagógicos ou
construção de mais unidades de ensino.
No entanto, objetivamente, só é possível contar com orçamentos escassos e
mal direcionados, o que inviabiliza estas sugestões.
A crítica aos procedimentos responsáveis por levar, inevitavelmente, ao
êxodo escolar e a depreciação do estatuto docente ocorre pela tentativa
forçada de explicar o caso através de um modelo administrativo - uma
constante nos discursos tecnocráticos -, mera rota de fuga ao enfrentamento
da
realidade educacional.
Além das objetivações é preciso lembrar que a condição da natureza humana é
participar tanto do mundo sensível quanto do inteligível e, desta forma,
sujeita
a ser afetada por paixões, desejos e inclinações particulares, ao mesmo
tempo
em que é dotada de uma “autonomia” da vontade e capaz de conhecimento
analítico. Retire-se esta condição e desconstrói-se o ser, eis o que ocorre
hoje.
Logo, qualquer possibilidade de melhoria supõe uma ampla renovação no
âmbito da partilha das responsabilidades, de forma a determinar quais ações,
pedagogias e parcerias podem obter resultados práticos.
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| Em suma: o resgate da condição humana e cidadania, que a priori somente é
possível de ser formatada através do acesso à educação, exige novas
propostas. O diagnóstico, embora claro é, de
certa forma datado. Após décadas de descaso oficial, falta de investimentos
de base e políticas sérias para o setor, vive-se um non sense temático: a
confusão
dos procedimentos administrativos e estatísticos,
não oferece uma proposta consistente
para a educação.
Onde a condição de possibilidade do empreendimento sério na
formulação de bases no âmbito das necessidades dos educandos e
do próprio país, que patina em todas as avaliações
internacionais? Estas reflexões colocam em pauta, um caminho
multidisciplinar apoiado em ações complementares do estado,
entidades privadas e de organizações do terceiro setor em
parceria.
Esta é a forma de recuperar a totalidade da definição e
amplitude do processo educativo como
um organismo vivo, em constante transformação e atuante no seu
compromisso com boas
práticas sociais e a liberdade do sujeito. Importa verificar a
forma, pela qual o educador deve
ser “lido”, ou antes, percebido como um elemento transformador,
porque é aqui que está
manifesto o saber livre e ativo.
A tese, então, deve superar o autor e propor uma autonomia
própria: formar educadores é superar
a contingência dada pela natureza das coisas, seja pelo caráter
(formado pela instituição), quanto pela imersão nesta mesma
totalidade, irredutível à fragmentação analítica do conhecimento
para
fins exclusivistas, que valorizam apenas o conhecimento prático
das coisas: enfatizar que essa
idéia só pode ser realizada num estágio da sociedade em que o
desenvolvimento das capacidades intelectuais e espirituais
caminhe junto com a existência – é claro - de recursos e bens
materiais
para a satisfação das necessidades humanas.
Não fosse somente isso, fica cada vez mais difícil pleitear
recursos e investimentos: devido à
notória má gestão do País como um todo e escândalos e
contra-sensos de toda ordem, até a mídia posiciona-se contra
isso. É preciso também lidar com a crítica negativa sobre estes
instrumentos,
que acusam os educadores de esbanjarem recursos ou serem
estupidificados pelas apostilas e não sabendo nem ligar laptops.
O que por si só é somar injúria ao dano do raciocínio simplista
das reportagens em linguagem telegráfica, já que o problema
reside em políticas e sistemáticas
e não sobre a base.
Culpa também de alguns modelos pedagógicos saturados que
necessitam ser redirecionados para formas de aprendizado que
contemplem maior profundidade de reflexiva e de conteúdo
técnico-científico e não meramente socialização e “cultura”. Se
for para seguir este discurso, talvez seja melhor lembrar que
melhores cidadãos são os que estão aptos intelectual e
pragmaticamente a
gerar novas infra-estruturas, ou seja: que as transformações
sociais é que geram ideologias e não
o contrário.² Faz tempo que precisamos
abandonar paradigmas, mas sem aderir à antíteses.
Devemos ter a impertinência de propor caminhos que passem –
necessariamente – pela
restauração da dignidade do educador e da construção de
alternativas de mercado. Por isso é importante, além da
construção de espaços físicos, a construção do profissional e de
uma ética
que subsuma estas especialidades, hoje em decadência.
De outra maneira existe apenas a manutenção do que ora
enfrentamos: a especialização
constante do mundo objetivo faz desaparecer o educador,
tornando-o instrumento estático da conjunção política geral.
Torna-se funcionário quem deveria ser formador e assim
continua-se impedindo o resgate de práticas que unifiquem o
cidadão, construam saberes e que desta
forma, preso às circunstâncias externas e ao recurso do
assistencialismo, torna-se
não liberto, vitimável.
¹
Emerson , Caráter, pág.16, Ensaístas Americanos Clássicos, vol. XXXIII,
W.M.Jackson 1950
²
Levi-Strauss, La Pensée Sauvage, 1962:155 in História do
Estruturalismo, François Dosse,1993
Autor
Luís Sérgio Lico é Filósofo e Conferencista. Especialista em
Treinamentos,
Palestras & Workshops de Alto Impacto Motivacional. Professor, Articulista e
Autor do Livro:
O Profissional Invisível. Contatos: E-mail:
ola@consultivelabs.com.br
Visite o site:
www.consultivelabs.com.br
Como autor, discorre e relata sobre as metáforas da ausência: as linguagens
intuitivas e
imediatas, os motores da subjetividade, os fluxos da percepção, as sínteses
da experiência muda.
Em suas funções consultivas, alia sua trajetória na produção de conteúdos,
eventos e treinamentos organizacionais, com a profundidade da reflexão
filosófica experimental. Isto possibilita
sistematizar metodologias de sucesso, que são aplicadas em todos os seus
projetos e
produtos educacionais.

Lançou recentemente "O Profissional Invisível",
uma obra destinada a
ajudar a todos aqueles que buscam uma
recolocação profissional e são excluídos
pelo preconceito e ignorância destas sistemáticas.
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Luís Sérgio Lico
é Filósofo e Conferencista. Especialista em Treinamentos, Palestras &
Workshops de Alto Impacto Motivacional. Professor, Articulista e Autor
do Livro: O Profissional Invisível. Contatos: E-mail:
ola@consultivelabs.com.br
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