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Terrorismo e Focos de tensões Mundiais III

Eustáquio Lagoeiro Castelo Branco

Árabes e Israelenses


Neste últimos cinqüentas anos, a região do oriente médio foi um foco de tensão progressivo envolvendo questões políticas,econômicas, etnicas e geográficas entre árabes e israelenses. Claro, existe a necessidade de ajuda externa para solucionar o problema, mas é muito mais necessário que os próprios envolvidos, árabes e israelenses, tomem atitudes mais efetivas nesta direção.
Mas qual é o problema?

Em 1948, logo após a Segunda Guerra, a ONU, organismo recém criado, com respaldo da Inglaterra, decide pela criação de Israel. Divide o território da Palestina entre árabes(43% do território) e judeus(57%). Surge, então oficialmente o Estado Judeu. Os Palestino, árabes que viviam naquela região, ficam praticamente sem nação e espalham pelo Líbano, Jordânia, Síria, Gaza e passam a lutar pela criação de um Estado Palestino.
A partir daí é só conflitos que se vê na Região.
Em 1948/49, no primeiro conflito armado entre eles, Israel derrota-os e amplia seu território confiscando terras dos países árabes vizinhos.
Em 1967, outro conflito, a guerra dos 6 dias, a Síria, o Egito e a Jordânia são derrotados. Como resultado, Israel anexa a Faixa de Gaza, as Colinas de Golã, a Cisjordânia, a Península do Sinai e parte da cidade de Jerusalém. 


Os Israelenses não pretendem devolver Jerusalém, pois afirmam que esta cidade é sua capital eterna e indivisível. Os palestinos, não cedem e reivindicam a parte leste da cidade como capital de seu futuro estado.

Posteriormente, em 1973, Egito e Síria, na tentativa de recuperar os territórios perdidos, voltam a se envolver com Israel, Guerra do Yom Kipur, e são novamente derrotados. No acordo pós guerra, Israel devolve gradativamente, a Península do Sinai ao Egito, mas permanece com as Colinas de Golã, foco de atrito com a Síria até os dia atuais.
Ao invadir, Israel promoveu assentamentos de colonos judeus(mais de 150 mil) nessas regiões, e quer mantê-las sob sua soberania. Os palestinos querem o fim dos assentamentos.
Outro foco de divergências e a tentativa de Israel de manter sob seu controle os recursos hídricos da região, incluindo os lençóis subterrâneos na Cisjordânia, cuja administração é reivindicada pelos palestinos.
Insistem, os Palestinos, que as fronteiras com Israel devem voltar ao que eram antes de junho de 1967. Israel diz que não voltará as fronteiras de 1967.

Enquanto o problema não se soluciona, os quase 4 milhões de Palestinos refugiados nos países limítrofes continuam sua luta em busca de seu Estado próprio. Israel nem cogita a possibilidade de permitir o retorno desses aos territórios ocupados.
A partir da década de 60 começam a organizar na região, importantes grupos terroristas árabes e principalmente palestinos:

A Organização para a Libertação da Palestina(OLP) que nasce em 1964; a Jihad (Palestina), Jihad Egípcia (Ayman Al-Zawahri - Egito), Hamas (Palestina), Hezbollah (Sheik Hassan Nasrallah - Líbano), Al Qaeda (Afeganistão), Abu Nidal (Palestina), GIA (Argélia). Mas essa lista é muito mais extensa.

A Intifada


A intifada são movimentos de insatisfação do povo palestino contra Israel nos territórios ocupados reivindicados pelos árabes. 
Em 1987 ocorre a primeira intifada. Podemos considerar que esta revolta será fator que conduzirá em 1993, a assinatura do acordo de Oslo entre o representante Arafat e o primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin. 
Por este, Israel comprometeu-se a conceder aos palestinos, autonomia plena na maioria da Faixa de Gaza, e em Jericó, na Cisjordânia. Este acordo é ampliado, permitindo ainda o controle de parte da Cisjordânia onde os palestinos se encarregariam do poder civil e os israelenses da segurança interna.

Apenas no setor onde situa-se as colônias judaicas, Israel teria controle total.
No entanto, com a ascensão, em 1996, do conservador Partido Likud ao poder em Israel, as negociações foram praticamente paralisadas.
Em outro acordo assinando entre judeus e palestinos nos EUA, o Wye Plantation, Israel promete novas concessões. Porém, este acordo não será cumprido devido ao final do governo de Netanyahu em 1998
Em 1999, parece que o processo de paz se encaminhava para o sucesso.
O governo trabalhista de Ehud Barak retoma o processo de paz com os palestinos. Israel liberta prisioneiros palestinos e retoma as negociações do acordo de Wye Plantation, desocupando mais um setor da Cisjordânia, prometendo controle total sobre 40% dessa região e promessa de iniciar as negociações sobre as fronteiras definitivas.
Pontos delicados entram na discussão: o controle das fontes de água na Cisjordânia; o futuro das colônias judaicas em Gaza e na Cisjordânia; o retorno de 3,2 milhões de palestinos refugiados em países árabes; e o destino de Jerusalém, reivindicada como capital pelos dois lados, mas anexada por Israel.
No entanto, mais uma vez, o destino conspira contra a paz.

Em 28 de setembro de 2000, Ariel Sharon, líder do partido Likud, fez uma visita a Esplanada das Mesquitas, ou Monte do Templo para os judeus, local sagrado para os dois povos. A presença de Sharon provocou protestos dos palestinos, que consideraram a visita como uma provocação.

Os palestinos reagiram violentamente, atirando pedras nos judeus. Os israelenses reagiram, matando quatro manifestantes. A violência se intensificou, mais de 80 pessoas morreram e quase 3 mil ficaram feridas.
Essa revolta que durou 11 dias, paralisou os acordos e levou á queda do governo do primeiro-ministro israelense Ehud Barak.
Ariel Sharon venceu as eleições para a chefia de governo e a violência se acirrou.
Grupos terroristas passam a promover uma onda de atentados suicidas e Israel, por seu lado, também continua eliminando supostos líderes extremistas.

Uma série de atividade extremistas contrários aos acordos tem ceifado muitas vidas de lado a lado, em atentados terroristas dificultando a possibilidade de solução. Esses grupos são tanto judaicos quanto islâmicos destacando sobretudo, o Hamas. A política do Likud de ampliar a ocupação judaica em Jerusalém oriental é considerada pelos árabes uma declaração de guerra contra a presença palestina na cidade.



Irã - Iraque


Não é um conflito ativo nesse momento, mas existe um foco de tensão na área. Entre 1980 e 1988, esses dois países entraram em guerra. Em 1988 com o esgotamento econômico e militar de ambos, essa guerra cessou sem solução definitiva. O que existe, na verdade é uma trégua. Seriam dois os motivos do conflito: a disputa pelo controle do canal de Chatt El-Arab, que fica na fronteira do Iraque com Irã, próximo ao golfo Pérsico, e a tentativa iraquiano de conter o avanço do fundamentalismo islâmico. Em 1987, uma revolução xiita, liderada por Khomeini, havia derrubado o regime pró-ocidental no Irã.



Guerra do Golfo


Em 1990, o presidente iraquiano Saddam Hussein acusa o Kuwait de provocar a baixa no preço do petróleo ao produzir e vender mais do que a cota estabelecida pela Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) prejudicando a economia iraquiana. Exigia, ainda, que o Kuwait perdoasse
uma dívida de US$ 10 bilhões contraída durante a guerra contra o Irã e o pagamento de uma indenização de mais de US$ 2 bilhões, com a alegação de que os kuwaitianos retiraram petróleo iraquiano na região fronteiriça de Rumaila. 
Outras causas mais remotas estava um antigo litígio sobre a determinação de fronteiras. O Iraque reivindicava os portos de Bubián e Uarba, que lhe dariam novos acessos ao golfo Pérsico. 
Em 02 de agosto de 1990, o Iraque invade o Kuwait e forças coligadas de 28 países sob a liderança dos Estados Unidos bombardeiam Bagdá, iniciando a Guerra do Golfo. O Iraque se rende em 27 de fevereiro 1991.
A ONU decidiu impor uma série de embargos, com o objetivo de assegurar-se do desarmamento do Iraque; os Estados Unidos, estabeleceu, uma zona de exclusão dentro do Iraque, para proteção das minorias curdas. Nesta zona de exclusão, o Iraque deixa de ter soberania e, ainda mais, alguns outros embargos, econômicos e políticos.  A força aérea iraquiana, tem violado, esporadicamente este espaço aéreo fazendo com que os norte-americanos e ingleses promovam bombardeios sobre o país.
O conflito ainda não terminou, apesar dos dez anos já passados. A imposições políticos e econômicos dos vencedores estão destruindo o país. A miséria é crescente. Os Estados Unidos através de sabotagens, bombardeios e apoio a oposição iraquiana, tem tentado enfraquecer Saddam Hussein mas o ditador permanece no poder. O jornal francês, Le Monde Diplomatique possui um dossiê (‘Cahier Iraq’) que está disponível no seu site site http://www.monde-diplomatique.fr/cahier/irak.



Líbano


Terminada a Guerra civil no Líbano, que se estendeu de 1975 a 1990, parecia que a situação caótica nesse país teria chegado ao fim. Mas, os embates continuam mesmo após o fim dessa guerra. O sul do país encontra-se ocupado pelo Exército israelense e o resto do território, pelas forças sírias.Além disso, grupos extremistas xiitas, sobretudo o Hezbollah, continuam instalados no Líbano e lançando ataques contra o norte de Israel. Cada ofensiva tem recebido retaliações por parte dos israelenses dirigidas contra bases dos extremistas no sul e outras regiões do país.



Questão Balcânica


Desde a IIª Guerra Mundial (1939-1945), o mundo não testemunhava matança igual á promovida na Península Balcânica de Sérvios, Croatas, Bósnios, Kosovares, etc

Após a Primeira Guerra Mundial, para não se submeterem ás potências maiores, as regiões balcânicas, situada a sudeste da Europa resolvem se unir constituindo-se na Iugoslávia ("Eslavos do Sul"), congregando 7 povos: sérvios, croatas, eslovenos, macedônios, montenegrinos, Bósnia-Herzegovina e os albaneses.

Durante a IIª Guerra o Marechal Josip Broz Tito assume e impõe um regime de força de
orientação comunista que o manterá no poder por 35 anos, até sua morte em 1980.
A Iugoslávia ficou, então constituída por seis repúblicas: Sérvia, Eslovênia, Croácia, Bósnia -Herzegovina, Montenegro e Macedônia. Uma verdadeira colcha de retalhos étnico-religioso: cinco povos, quatro línguas, dois alfabetos, três religiões (católicos, Ortodoxos e Mulçumanos). O Marechal Tito havia dado a essa orquestra desafinada a aparência de uma unidade, mas, na verdade, as diferenças culturais e religiosas ficaram apenas adormecidas. Com sua morte, em 1980, a Iugoslávia foi, gradativamente se diluindo, no período entre a morte do marechal TITO e a chegada ao poder do comunista, Soblodan Milosevic em 1987. Após esse período, os Bálcãs voltaram a ser o foco de crise na Europa, repetindo as cenas de violência praticadas no início do século.

O principal conflito ocorreu na região de Kosovo, uma província que tem uma composição
étnica e religiosa diferente da maioria da Iugoslávia. Os kosovares são de origem albanesa e muçulmana, enquanto os sérvios são cristãos ortodoxos.
Mais de 90% da população de Kosovo é origem albanesa. Buscando a separação dos sérvios
e sua própria autonomia iniciaram um movimento.
Milosevic afirmava que considerava Kosovo, o berço do nacionalismo sérvio e argumentava
que queria evitar que a Iugoslávia perca mais territórios. E por tais razões, não queria ceder liberdade ao povo kosovar.
A OTAN, alegando motivos humanitários e buscando evitar uma limpeza étnica para
expulsar os kosovares, interviu na guerra. Milosevic foi derrubado do poder e, atualmente,
se encontra detido e sendo julgado pelo tribunal Penal internacional em Haia, acusado de
crimes de guerra e genocídio durante conflitos em Kosovo, Croácia e Bósnia.



A situação China x Tibet


O Tibet é também chamado de "Teto do Mundo", situa-se entre a Birmânia, a China, a Índia, o Nepal e o Butão. Sua história data de 2.300 anos atrás. No século VII, o imperador tibetano adotou o budismo Mahayana e traduziu a literatura budista para a língua tibetana. Construiu muitos templos imperiais e monastérios. No século XVII, o quinto Dalai Lama desmilitarizou totalmente o país, promovendo o desenvolvimento das instituições monásticas e ampliou a política de não-violência.

Em 1950, o governo chinês anexou o Tibet. Os militares chineses começaram a ocupar a região e obrigaram o governo tibetano a assinar um documento de cooperação. Esse documento foi assinado sob pressão, portanto, não tem nenhuma validade. durante a ocupação milhares de tibetanos foram mortos. Quase todos os monastérios budistas tibetanos foram destruídos e alguns transformados em presídios. Monjas e monges foram obrigados a manter relações sexuais em publico. Grande parte da população foram enviados para campos de trabalhos forçados. Locais sagrados foram transformados em estábulos e celeiros. Partes das construções religiosas foram utilizadas na construção de banheiros públicos. Bibliotecas com manuscritos antigos foram destruídos. Eremitas foram ridicularizados e torturados.

O atual, Décimo-quarto, Dalai Lama, foi entronado em 1940, com quase cinco anos de idade; em 1950, aos dezesseis anos, assumiu o poder temporal e religioso. 
Em 1959, depois de tentar sem sucesso um movimento de libertação, o Dalai-Lama se exilou no norte da Índia onde vive até hoje na cidade de Dharamsala.
Á partir desse momento deu início a uma campanha pacífica de sensibilização da opinião pública visando angariar apoio a causa emancipacionista.
Seu governo, praticado do exílio, não tem reconhecimento internacional, mas tem obtido algum sucesso nesse projeto. Em 1989, o Dalai-Lama conquistou o prêmio Nobel da Paz por seus esforços e teve aumentado a simpatia internacional e apoio financeiro á sua causa. É reconhecido mundialmente como grande defensor da paz mundial, do desarmamento, da não-violência, do entendimento religioso e da ecologia. O Dalai Lama visitou o Brasil durante a Eco 92.
Em dezembro de 2000 restabeleceu contato com Pequim, mas sem grandes promessas. A China considera o Dalai Lama um separatista, radical e criador de problemas. Constantemente, critica as nações estrangeiras que lhe dão apoio e permitem sua visita, inclusive interrompendo relações econômicas com esses países.

Atualmente, há mais de 1.100 presos políticos no Tibet. Muitos desses prisioneiros políticos foram detidos sem acusação ou julgamento. Esses prisioneiros tem sido sistematicamente interrogados, torturados e maltratados. Os métodos utilizados de tortura utilizados incluem: 

choques elétricos nos genitais, na boca e na sola dos pés;
marcação com pás em brasa;
queima com água fervente;
espancamentos constantes com pedaços de pau e de ferro;
uso de algemas, correntes e cordas para manter os prisioneiros de cabeça para baixo e em posições bastante dolorosas;
exposição prolongada a temperaturas extremas;
privação de comida, água e sono;
ameaça de violência sexual e de morte.


As mulheres tibetanas são sujeitas a esterilização e ao aborto forçado. Essa estratégia visa ao que se chama de "limpeza étnica" e leva os tibetanos a se tornarem minoria em seu próprio país. Quem se manifesta contra a ditadura comunista é duramente repreendido. Possuir uma foto do Dalai Lama, uma bandeira tibetana ou qualquer material favorável ao Tibet leva á prisão, tortura e até a execução.

A importância do Tibet para os chineses está nas suas possibilidades geopolíticas e econômicas: situa-se numa posição estratégica em caso de ataque, tanto que uma grande porcentagem de mísseis intercontinentais nucleares chineses estão baseados nesta região; possui abundância de minerais e os principais rios que banham a Ásia central nasce no Tibet.

As possibilidades de uma solução para o povo tibetano a curto prazo é remota.



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Eustáquio Lagoeiro Castelo Branco
Webmaster, Webwriter, professor graduado em história e sociologia, 
pós-graduado com especialização em informática educacional
eduquenet@eduquenet.net